Code is Poetry

E aqui ficamos, última postagem do Peixe de Aquário, primeira para valer do Contrabandistas de Peluche. Coloco a luz mais bonita de todas que encontrei, a que é refletida no pêlo do Canek, este Príncipe dos Impérios da Fofura, o novo habitante para nos trazer novos mundos.

(agora como abandonam uma ninhada de 8 coisinhas dessas na rua... ah, isso não dá para entender. Isto é o velho mundo)

Claro que é para ficar saudoso. A saudade é o tempo em estado de poesia. As coisas vêm & em vão. Mas fiz uma retrospectiva dos últimos anos do Peixe, desde 13 de maio de 2006. Colocarei em breve em pdf no Portal Literal, Overmundo, etc. Um blogue é memória e isso pertence a nós todos.

Por isso, logo lembrei, do código é poesia. Escrito nos templates do Wordpress a verdade desses desertos de luz desperta.

Queria te contar sobre isso de montar um site, um blogue. Imagina só, consegui desde registrar um domínio até desfazer os pacotinhos em verso para montar widgets e plugins ali dentro. Nunca pensei que conseguiria sozinha. E nada sozinha ao mesmo tempo. Escrevo hoje para deixar os agradecimentos aos anônimos, que contribuem com suas verdades a cada desenvolvimento de raízes, em milhões de sinapses do planeta, a cada palavra cifrada de programas constelares, ao suporte paciente da Locaweb com leigos, ao pessoal lindo da interação dos blogues da UOL esses tempos e a vc que está aqui e faz isso tudo ser regido com a música das cordas dos corações dos outros - o ano novo por aqui se faz todos os dias.

Sim, código é poesia, que recria o mundo em outras telas, outras vigésimas dimensões, cifras que fazem as luzes rebrilharem em palavras, no teu e-mail de final de 2008, formigueiros de amor pintado de preto, letrinhas, programações que parecem uma bobagem, e logo já estamos aqui, emocionados, pensando na criação, que outros mundos seriam possíveis e, mesmo que as manchetes de jornal existam, ainda um dia voltarão a ser possíveis, só basta que um saiba o verbo.

A poesia é o código que nos transforma em amor.

 

- Meu mais feliz ano novo para vc.

 

13º salário para download

Sim, o meu já se foi evaporado. E o teu? Para quem nem recebe isso (ah, vida de profissional liberal e dono do próprio nariz, tempo, salários) e mesmo para quem ainda não torrou o seu, um link:

Aguinaldo Narrable | edição Libros Mínimos

Trata-se de uma edição eletrônica, disponível para baixar (licenças livres, claro), de textos elaborados por escritores da Guatemala sobre o tema das festas de final de ano.

Ah, sim, Aguinaldo, além de ser nome com fumos comediantes em português, também significa o 13º nessa terra de vulcões... e presente de natal em outras praças (+ aqui).

Inté. Será hoje que conhecerei o Cristo ou ficaremos no bar vendo ele ali trabalhar com sua cara giocondística e braços abertos?

 

 

sim, no Rio e com marcas ridículas daquelas pessoas que não fazem idéia do que é areia e a utilidade de um filtro solar. vamos deixar esse post assim, meio twitter, meio rapididito. afinal, há muito mais vida ali fora embaixo da chuva. aquele abraço!

despedidas e Feliz Natal

 

Essa então é daquelas postagens derradeiras do Peixe, já que no ano que vem estaremos no domínio próprio (??), com cabelos vermelhíssimos no www.anarusche.com, como a Maiara bem mandou avisar.

 

 ASSISTA AQUI (a edição via janelinha não está entrando...)

Passo rapidinho, pq ainda devo fazer malas, aê, Rio de Janeiro, aquele abraço. Queria que vcs me contassem o que acharam do vídeo abaixo, feito com imenso carinho e coordenação Brasil-Argentina & la Mano de Diós, via internet. Trata-se de um poema meu, traduzido pelo Alan, com leituras em español pelo Alejandro Mendez (Argentina) e pt pelo Rafael Daud (brasileiro e bem conhecido dessas paragens).

 

Achei a edição final um pouco longa, não sei se terão paciência de assistir, bem, aí vai. Já estou meio desapontada comigo mesma, pq também a música tem uns altos e baixos. Ah, me perdoem, sim? Com toda a terrível ternura desse mundo, por um Natal que chova menos. A parte que falta, a dos desejos é tua.

 

Título: Hechizo de Navidad - Feitiço de Natal
Idioma: Español - Português | Brasil, 2008, 5:12 min
Texto e Vídeo: Ana Rüsche (Brasil)
Traducción: Alan Mills (Guatemala)
Lectura/Leitura: Alejandro Mendez (Argentina) e Rafael Daud (Brasil)
Starring: Soldados Brians (Chile)

Trilha: Pol B Binarymind via www.jamendo.com

* * *

Feitiço de Natal

tags: life-is-not-a-fair-tale-book-free-download

Aqui, Onde a Chuva Cai,
nos proibiram esse ano de nascer o verão;
no rádio canta, exercita a piedade
e guarde os pulsos para o final.

E lá, Onde a Neve Cai,
moram as Catedrais da Beleza original.
eu fui de avião e apalpei as Torres
tão pontudas, agulhas, como um Pinheirinho Branco.

Com gosto, ali furei os pulsos do dedo indicador
sai uma gota de sangue minúscula
(já passou, assopra, assopra quando-casar-sara)
Agora, pelo feitiço da picada, sei
nosso natal será igualmente Branco
entramos resplandecentes

Agora fico assobiando a White Christmas,
aqui, Onde a Chuva Cai.
Pq as pessoas se põem assim tão lindas,
tão tristemente vistosas,
tão estupidamente delicadas.

O delírio da insônia é por um nosso Natal Branco.
Meus olhos são alérgicos às luzes
e choram pelos cantinhos dos abraços de colegas de trabalho.
Aquelas músicas que irritam tanto,
tenho ganas de abraçar socando alguém
- me dá a outra face, quero beijar as faces inteiras.

E vejo vocês assim tão assustadoramente bonitos
gastando o fio do seus dentes caninos
: um pacote nas mãos, flores e sorrisos,
por bonecas dentro do vidro, que nunca tiveram vida, senão ao sorrirem de volta
vocês tão lindos, escutando e soprando a vida às manequins

Queríamos um Príncipe de Natal, o Príncipe Branco,
este centauro meio-menino, meio-mulher,
que nos acordasse
que nos perdoasse
que nos revivesse
aos beijos, por tantos prantos represados, para esquecermos de dia
esquecermos os pulsos
e nunca mais esquecermos o Ano.

(Bem, está claro que nunca aconteceu nada.
Nos enviam sempre o velho engodo do papai noel.
O feitiço serve é para outras coisas
Aqui, todo ano aqui o natal é ainda vermelho).

* * *

Hechizo de Navidad

Aquí, Donde Cae la Lluvia,
nos han prohibido que a este año le nazca el verano,
en la radio se canta, se ejercita la piedad
y guarda tus pulsos para el final.

Y allá, Donde Cae la Nieve,
viven las Catedrales de la Belleza Original.
Me fui en avión y toqué las Torres,
tan afiladas, agujas, como un Pinito Blanco.
Con gusto perforé los pulsos del dedo índice,
sale una minúscula gota de sangre
(ya pasó, sopla, sopla, cuando te cases sanarás)
y ahora, por el hechizo de esta picadura, sé
que nuestra navidad también será Blanca,
entramos resplandecientes.

Ahora me pongo a silbar White Christmas,
aquí, Donde Cae la Lluvia.
Por qué las personas se ponen así tan lindas,
tan tristemente vistosas,
tan estúpidamente delicadas.

El delirio del insomnio viene de nuestra Blanca Navidad.
Mis ojos son alérgicos a las luces
y lloran por los rinconcitos de los abrazos que me dan
los colegas del trabajo.
Aquellas canciones que molestan tanto,
tengo ganas de abrazar golpeando a alguien
- dame la otra mejilla, quiero besar todas las mejillas.

Y los veo así, tan aterradoramente bonitos,
gastando el filo de sus colmillos
: un paquete en las manos, flores y sonrisas
por las muñecas tras la vitrina, que nunca tuvieron vida,
más allá de las sonrisas que ustedes, tan lindos,
les devuelven, escuchando y soplándole vida
a los maniquíes.

Quisiéramos un Príncipe Navideño, el Príncipe Blanco,
aquel centauro medio-niño, medio-mujer,
para despertarnosensaslos maniqudo y soplando o al sonreir de vueltos resplandeciendo por el aire. lla, sa algo que de a poco se hac,
para perdonarnos,
para revivirnos
con sus besos, por tantos llantos contenidos, para olvidarnos de día,
olvidar nuestros pulsos
y nunca más olvidarnos del Año.

(Bien, está claro que nunca sucedió nada.
Siempre nos envían el viejo cebo de Papá Noel.
El hechizo em realidad sirve para otras cosas.
Por acá, cada año por acá, la navidad sigue siendo roja).

traducción: Alan Mills

A Massa da Tortilla é a Massa do Amor

Ai, tenho tanta coisa para te contar... Primeiro que não haverá mais o Peixe! Sim, mas sem crises, estou preparando algo melhor (creio), mudanças para anos novos e vidas novas.

Detalhes em breve.

Depois que é tanta coisa, que saberá aos pouquinhos. Mas selecionei algo especial para a semana: um vídeo bem simples e lindo que produzi com o Alan, a partir de um poema dele escrito para uma homenagem ao César Vallejo.

Tudo feito com as circunstâncias domésticas: aproveitamos a caixa da TV comprada, debulhamos o milho para o cozido, pimenta de nossa pimenteira - ou seja, a beleza reside na verdade das circunstâncias, ficou ótima a comida, depois mando a receita. E o povo do Tripsounder autorizou usarmos essa música tocante... Seguem detalhes e a tradução.

---

 

Alan Mills reescreve o poema "Massa", do peruano César Vallejo, para homenagem a ser realizada em dezembro de 2008, no Centro Cultural do México na Guatemala, com a colaboração da Embaixada do Peru.

De acordo com HH Montecinos, uma reescritura "no es ni copia, ni cita, ni collage, sino que la generación de un texto absolutamente distinto al que se reescribe, pues de él toma cierto tono o, en su defecto, su carácter más visual". Mills acrescentaria que uma reescritura é também um sonho de um novo texto quando se conseguiu transcender ao esquecimento do original.

  • Título: A Massa da Tortilla é a Massa do Amor
  • Poema: Alan Mills
  • Direção: Ana Rüsche
  • Trilha: "Stranger", Tripsounder
  • Duração: 1:55 minutos
  • País: Brasil, 2008
  • Idioma: Espanhol
  • Licença: CC - Attribution Non-commercial Share Alike

 

LA MASA DE LA TORTILLA ES LA MASA DEL AMOR

Ni todos los compadres
y comadres reunidas,
soplando balas que parecían
Burbujas de Amor,
pudieron henchirlo
de la más rara luz,
apenas un aire desdibujado,
oscureciendo,
los cielos negros del Asentamiento,
la hilera de casas más larga
que jamás se haya visto
por nuestros Basurales,
ni todos los compadres
y comadres reunidas,
haciéndole un protocolo
de resurrección cardio-pulmonar
que aprendieron en la tele,
durante las noches frías
de nuestro país caliente,
cuando todo el Mundo,
todos juntos hacíamos zapping,
iguales a aquella historia terrorífica,
en la que todos los chinos de la China
darían un salto sincronizado,
haciendo temblar al Mundo,
eran noches en las que deseábamos
que el sol saliera para sentir
nuestra vida de una forma
coherente con el Asentamiento,
la hilera de casas más larga
y más bella,
donde todos los compadres
y comadres reunidas,
soplaban balas que parecían
pececitos dorados surcando el aire,
y no era el aire,
sino un agua incapaz de mojar,
un cuerpo más seco que la misma tierra,
entrando en ella como una semilla,
dándole forma al Alimento,
a la Felicidad de todos los compadres
y comadres reunidas,
alrededor de una fogata invisible,
disfrazada de Home Boy Crazy,
iluminando.


A MASSA DA TORTILLA É A MASSA DO AMOR

Nem todos os compadres
e comadres reunidas,
soprando balas que pareciam
Borbulhas de Amor,
puderam enchê-lo
da mais rara luz,
apenas um ar borrado,
obscurecido,
os céus negros do Assentamento,
a fileira de casas mais larga
que jamais se havia visto
por nossas Montanhas de Lixo,
nem todos os compadres
e comadres reunidas
aplicando-lhe um protocolo
de ressurreição cardio-pulmonar
que aprenderam na tevê,
durante as noites frias
de nosso país quente,
quanto todo o Mundo,
todos juntos fazíamos zapping,
iguais àquela história terrível,
na qual todos os chineses da China
dariam um salto sincronizado,
fazendo tremer o Mundo,
eram noites nas quais desejávamos
que o sol saíssem para sentir
nossa vida de uma forma
coerente com o Assentamento,
a fileira de casas mais larga
e mais bela,
onde todos os compadres
e comadres reunidas,
sopravam balas que pareciam
peixinhos dourados singrando o ar,
e não era ar,
senão uma água incapaz de molhar
um corpo mais seco que a mesma terra,
entrando-lhe como uma semente,
dando forma ao Alimento,
à Felicidade de todos os compadres
e comadres reunidas,
ao redor de um fogaréu invisível,
disfarçado de Jagunço Loco
iluminando.

(trad. Ana Rüsche, mas sempre um pouco a 4 mãos)

jornais e sexta-feira

Ai, que preguiça.

 

Na home da UOL, vários shows incríveis dizem estar vindo para cá. Sei, impossível ir a algum, seja pelo preço, seja pela guerra que é conseguir um ingresso, guerra que pode ser internética, telefônica ou física. Nem sei porque anunciam.

 

A Petrobrás prorrogou inscrições. Agora só março de 2009. Funarte divulgou lista de inscritos para a bolsa de criação literária. Não participo dessa categoria. E agora, todo mundo quer viver em Goiáz Velho. Não entendo essas quotas territoriais – se bota quota, bota proporcional à população, não é isso?

 

O Tony Moni publicou um artigo no terra, “literatura rende menos que telemarketing”. A nossa sempre constatação do óbvio – e nem sei mais se é, bem, claro, tem sempre pessoas que ficam chocadas com os números, hehe, “não há mais que três mil leitores de literatura brasileira contemporânea (conforme a polêmica declaração de Marçal Aquino, há algum tempo). Três mil é a tiragem de um livro em uma grande editora”. E o tal do Juca Ferreira em Lisboa falando do acordo ortográfico, dizendo que quer o português como língua oficial da ONU, oh, que sono, preferia o Gilberto Gil falando de direitos autorais livres sem poder colocar nenhuma música dele em domínio público – tudo vendido gerando royalty, melhor que telemarketing.

 

Enfim, nada de novo no front. Ainda bem que hoje à noite tem minha oficina de cadernos e, em casa, cavaletes para serem pintados.

 

crise de mania continua

 

Los peluches estão impossíveis. Depois da idéia de montarem estantes de madeira no domingo, ontem inventaram de pintar cavaletes. Claro que só era fogo de palha e sobrou para mim.

 

Quati só sabe posar para foto

um colibri e a oficina de cadernos

Comecei hoje uma oficina para ilustrar cadernos. Desde fazer a encadernação até aprender várias técnicas. É ótimo fazer coisas sobre as quais não se tem a mínima idéia, fica mais intuitivo. Uso terrivelmente mal o estilete. E me sujei inteira de cola – sou facilmente a mais porquinha da turma. Bem, depois de bolar quase 3 semestres intensivos de oficinas, é bom ser a própria oficineira!

 

(aliás, no encontro de sábado da Piolheira, um dos exercícios é que cada oficineiro proponha uma atividade aos demais, ou seja, trocar a coordenação. Faz bem, dá outras perspectivas).

 

O meu caderno ficou grandão, na horizontal, uma paisagem, tem um pedaço de pele de jaguar, um céu azul celeste dentro e um bolso para guardar personagens. Tem também mapas de Israel para o Caqui e da França para o Alan. Daud, a única coisa árabe que encontrei foi uma capa de vinil que o professor ia usar. Ainda não costurei a lombada, mas já colei e furei. Eh, usei a furadeira, a minha cara.

 

E como a proposta é fazer um cartão postal de lugar nenhum, colocar várias coisas ciganas, farei do caderno um caderno de viagem do meu dia-a-dia. Acho que colocarei fotos. Adoro. Lá da CPTM, das capivaras tomando banho felizes no Rio Pinheiros, perseguidas por cachorros chapinhando na água às 6:35h. Da Paulista de domingo. Dos peluches antes de dormir. E pensamentos sobre um colibri que vi hoje incrivelmente indo para a oficina. Uma gracinha. Paradinho que nem uma passista no ar. Vai ficar legal. Te mostrarei.

 

Aí vai o vídeo de uma de minhas leituras no Poquita Fe (Chile). É sobre o Alerta de Vírus. Putz, tô nervosa, então ficou ultra-sorridente e com a cara de trouxa-padrão. Mal consegui assistir o vídeo de vergonha, hehe, por isso que se é escritor e não outra coisa. Gracias, Ignacio por su proyecto tão fantástico!

 

(amanhã falo de buracos brancos)

 

la família peluche en... programa de domingo!

Los miembros de la família peluche nem botam uma fé no kit para montar estante, mesmo com a compra de um alicate. Benjamín sussura algo inaudível para Totó, el quati. Notem Os Detetives Selvagens largado no chão, apenas para dar aparência intelectualóide ao local.

 

O quati começa a escalar para aparecer (e sair na foto) – putz, esse daí sempre querendo chamar a atenção.

 

Benjamín agora mais confiante, manda abraços do 3º andar. O livro continua no chão, no mesmo lugar, não moveram uma página. Ah, esse povo que só fala.

 

Eh! Conseguimos! La família peluche feliz! O que um ser humano não é capaz com carinhos na hora certa... Bem, chega de fofuras radicais e palhaçadas, hehe. Bom resto de domingo pra vc.

1/3 do livro

Partilho meu café-da-manhã-de-ontem de 3 ipsolons

(desayuno com yogurte e papaya), pão fresco e

café da melhor qualidade. Com o livrão na mesa, claro.

 

 

"Então a borbulha da poesia de Pedro Garfias fez pop, fechei o livro, levantei, dei a descarga, abri a porta, fiz um comentário em voz alta, disse che, que está acontecendo lá fora, mas ninguém respondeu, todas as usuárias do banheiro haviam desaparecido, eu disse che, não tem ninguém?" – tradução de Eduardo Brandão aos Detetives Selvagens

 

Continuo carregando Os Detetives Selvagens para onde quer que vá – o que não significa dizer que eu o leia, evidentemente. Adoro aqueles estudantes primeiro anistas que carregam o Código Civil consigo. É quase isso.

 

Bolaño escreve infinitamente melhor como mulher. Morro de rir em quase todas as “cartas” (as resenha dizem que são cartas, mas suspeito que não sejam exatamente cartas, que fique registrado. Não há saudação, destinatário, final, etcs. O cara segue tapeando leitores). A foto é em homenagem a uma das passagens que mais gostei, Auxilio Lacouture, auto-denominada “mãe-da-poesia-mexicana”, uruguaia no México resiste à invasão da UNAM em 1968. Como adorava ler dentro do banheiro, enquanto praticava seu vício, foi surpreendida pela invasão dos milicos. Permaneceu no banheiro, lendo poemas de Pedro Garfias, algemada nos calcanhares pela calcinha abaixada. Quando o guarda entra no recinto, ela levanta os pés e conseguiu seguir incólume. Durante seu exílio de dias no banheiro, escreveu poemas no papel higiênico, delirou nos azulejos e, por um ato de extrema paixão, joga tudo no vaso e dá descarga. Com o barulho, aí foi que os funcionários da Universidade a encontram e criam-se lendas sobre a estudante que resistiu à invasão.

 

O melhor é que na internet pululam outras lendas/explicações sobre a mesma personagem. Encontrei dois links legais:

Conejos y corações. Suporte de papel e acrílico

branco

Hoje é sexta e é dia de Pirata de Aquário. Finalmente fechei a edição da página wiki sobre COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS?

 

O texto final, editado por vários colaboradores, é um caos, o tal do buraco branco que acho ser a metáfora ideal para falar do tema. Responde absolutamente a pergunta. Sim, preciso vencer a preguiça monstro e me explicar o que quero dizer com buraco branco – mas creio que dá para entender, não?

 

"O buraco branco é um farol brilhante e uma fonte aparentemente infinita de matéria e de energia. Ninguém jamais viu um buraco branco, e muitos acreditam que ele se auto destruiria rapidamente.(...) A matéria expelida se unificaria gravitacionalmente e entraria em colapso, formando um buraco negro que engoliria o buraco branco". + aqui

 

"As equações da relatividade geral têm uma propriedade matemática interessante: são simétricas no tempo. Isso significa que se pode agarrar em qualquer solução matemática para equações e imaginar que o tempo flui ao contrário, para trás ao invés de para a frente, e terá outra solução válida para as equações. Se aplicar esta regra para a solução que descreve os buracos negros, terá um objecto conhecido como um buraco branco. Como um buraco negro é uma região no espaço do que nada pode escapar, a versão "tempo-invertida" do buraco negro é uma região no espaço em que nada pode cair. Na verdade, tal como um buraco negro apenas pode "sugar" tudo para dentro, um buraco branco apenas pode "cuspir" para fora. Os buracos brancos são uma solução matemática perfeitamente válida para as equações de relatividade geral, mas não significa que existam realmente na natureza. Na verdade, não existem quase de certeza, já que não existe maneira de como produzir um. Produzir um buraco branco é quase tão impossível como destruir um buraco negro, já que os dois processos são tempo-invertidos um do outro". por Alisson Soares Garcia

Bem, agora pouco deixei um texto retirado do blogue do Saramago para edição pública via pirata de aquário. Participa – acho que é legal. ;)

 

Fotos de Supermercado

 

às 17:30h, horário de inverno, apenas com a bolsa na mão

 

na volta, 17:57h, com sacolas no chão para tirar a foto

comprei coisas mágicas às panelas

 

volto para pegar outra coisa. tentativa de tirar foto do teu ônibus e guarda-chuva

 

chuva, escuro, sacolas na mão e feitiçarias culinarísticas na cabeça

livros que não li ainda

2 de novembro
Fui cordialmente convidado a fazer parte do realismo visceral. Claro que aceitei. Não houve cerimônia de iniciação. Melhor assim.

 

Estado: Estou lendo um livro incrível.

Aliás, 2 + 1 que não mencionarei. E têm um fantástico senso de humor, cada um a sua maneira. Percebi que muitas resenhas de blogues brazucas são de livros inacabados. Brasileiros deviam ser inventados novamente. Ok, sem acusações formais. Copio essa maneira de ser. E como, no momento, são os meus 3 companheiros, além dos peluches, queria dizer um pouco deles.

 

O primeiro são os Ornitorrincos da Maria Alzira. O máximo. Só não sei se irá finalizar tão bem como começou. Na realidade, tenho certeza que sim, essa fé que temos em alguns autores, mas não posso dizer isso sem acabar o volume. Bem, como os ornitorrincos ficaram perdidos gravitando com um gorrinho e um mono de pelúcia durante umas três semanas pelo apartamento, ainda não terminei. Mas é o tipo de livro que não dá para largar. Agora que a constelação gorrinho-mono regressou de sua viagem intergalática (exatamente para outra viagem) e reapareceu com o livro, terminarei.

 

"Acredita-se que a Ordem Secreta dos Ornitorrincos tenha chegado ao Brasil já no seu início. A. se refere a semelhanças entre seus fundamentos e trechos de um tratado de medicina homeopática encontrado no Rio de Janeiro que atribui certas mortes, consideradas então como de causa desconhecida, “à não adequação dos personagens, dos narradores ou dos observadores ao movimento que, necessária ou aleatoriamente, produz as mudanças”". + aqui

O segundo, grandão, carão, fissurável e perigoso é Os Detetives Selvagens, do chileno Roberto Bolaño. Escritor que um "S" no peito de superherói vira o ator do Chapolin: Roberto Bolañosss. Não contavam com minha astúcia? Bobagens à parte, que estão virando o estilo do Peixe ultimamente, é recomendabilíssimo em épocas de décimo terceiro.

O começo do livro conta o diário de un chico, Juan García Madero, 17 anos, calouro da Faculdade de Direito da UNAM - mexicano perdido no méxico - quando se transforma em poeta, mini-werther-versión-latina. y participa de oficinas, leituras, bebedeiras, intrigas, afagos, indicações bibliográficas, amores de segunda classe, revistas mal-diagramadas, perrenges de grana, delírios de grandeza e sucesso em bares decadentes, putz, o mundo inteiro do bizarro que a maiorias dos leitores desse blogue pode conhecer... Você ri em 100% das páginas. Melhor que vários personagens são reais, catalogados no início. Nada mais imbecil e maravilhoso do que a própria realidade. Assim que comer o resto das 622 - 130 = 492 páginas, te conto tudo.

 

November 2

I've been cordially invited to join the visceral realists. I accepted, of course. There was no initiation ceremony. It was better that way.

 

November 3

I'm not really sure what visceral realism is. Tengo diecisiete años, me llamo Juan García Madero, estoy en el primer semestre de la carrera de Derecho. Yo no quería estudiar Derecho sino Letras, pero mi tío insistió y al final acabé transigiendo. Soy huérfano. Seré abogado. (...) fontes: em inglês + en español


[[Sessão remake (novela Pantanal está no ar): Antes mesmo de existirem FLAPs e Vacas, criamos dois partidos imaginários na Academia de Letras da faculdade: imagistas versus não-lembro-o-quê-istas, laranjas e amarelos, palavras de ordem estapafúrdias... A finalidade era confundir o povo da política acadêmica que ficavam muito preocupadíssimos com nossas opiniões estéticas e as flutuações de votos nas eleições. Daud lembra? Hehe]].

Só lendo muita prosa mesmo para ter o humor necessário para suportar a poesia. E agüentar a situação de nesse momento não estar com o Dirceu, em seu lançamento, e nem pode encontrar o Fréssia, a Maiara... ah, que saco. Sem direitos a prozac no prosecco, triste. Bem, estar aqui te escrevendo agora melhora as coisas. Voltarei logo à página 130 dos detetives.

 

Mando as primeiras flores e o diário de amanhã.

 

7 de novembro

A Cidade do México tem cartoze milhões de habitantes. Não voltarei a ver os real-visceralistas. Tampouco voltarei à faculdade ou à oficina do Álamo. Veremos como me arranjo com meus tios. Terminei o livro de Louys, Afrodite, e agora estou lendo os poetas mexicanos mortos, meus futuros colegas.

paul, the rabbit, rides again!

Pronto, pronto, passou. Agora podemos dizer que habitamos um mundo melhor, ufa! C=H=A=N=G=E para volver ao mesmo ponto de mutação de sempre, serpentes que mordem o próprio rabo. O ovo que apodrece antes de se florescer em jasmim. E seguimos rindo, humor latino: incrível o vídeo que encontraram sobre o Chávez e o Lula discutindo se votariam no Osama, ops, Obama (isto e muitas outras coisinhas interessantes é possível ler no link revolveriano).

 

E queria falar do Paulo Coelho. Faz um tempo que decidi que o cara é um gênio do mundo bizarro que é a pós-modernidade – do bem e mal não existem mais, é isso?, sei, sei. Mal mencionei “serpente” em cima e lá está no blogue dele: “the serpent is a symbolic animal that has an extremely ambiguous, often contradictory, interpretation. It is such a rich symbol that it would be impossible to trace here all of its meanings”, hahahahá. O Mago.

 

Antes que vc já decida que chafurdo sem solução em águas iluminadas, digo: - pois se comenta muito pouco sobre isso.

 

As únicas reflexões rasas* são xingando o cara e culpando a humanidade por ser tão estúpida. Claro que o bem-estar e a felicidade são um produto e mais: um modo de vida exigente que não admite fracassados e melancólicos. Contrabandeando rótulos, A Ditadura da Hiperfelicidade. Então, o Mago é praticamente um Sex and the City com menos abarrotamento de merchandising? Hum, não, porque se a Sarah JP** arrepia a agressividade geral para nos estraçalharmos todos em felicidades externalizáveis e glamurosas, o Mago propõe algo menos auto-destruidor, na realidade um contrário, uma satisfação mais contida, subjetivada. As pessoas precisam de um pouco mais de afeto talvez. Precisam sentir que existem. E de crença. É bem triste. Admitir essa tristeza por outros caminhos poderia ser um caminho. 

 

Pensei bastante nessas coisas depois que vi que conseguia inclusive driblar o isolamento lingüístico do português, um baile no Jorge Amado, e entrou com o Alquimista pro Guiness como “o livro mais traduzido do mundo de um autor vivo”. Exportando fé made in brazil como as Universais do Reino de Deus, que estão com franquias em toda a parte. 100 milhões de exemplares. E na festinha em Frankfurt até o Gilberto Gil.

 

E melhor que este ex-ministro, que só discursou sobre direitos autorais livres e blablá, o Mago próprio se pirateou – como na Rússia circulavam muita obra dele com cópia ilegal, ele se pirateou em várias línguas (e eu me achando criativa) e pronto!, conseguiu distribuir mais que antes. E ele assina “Pirate Coelho”, hehe. Cito o Mago na tecla SAP: In my eyes, the wrong way is to be greedy and consider that content shouldn’t be shared and that internauts are mainly pirates. My speech - that will be posted here tomorrow - talks about this: that there are no pirates in internet but people eager to share content. E pacientemente o cara publicou 112 respostas de internautas a pergunta “Your Opinion on: Will books survive?”…

 

Bem, pneumotóraxis na veia, em lugar de tango argentino, toca Raul***

 

: Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada

Com uma cuia de esmola e uma viola na mão

O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas

E cantou essa música, que contava uma história

Que era mais ou menos assim:

- Eu nasci há dez mil anos atrás

e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais (2x)

 

* esta é um exemplo.

** que fez telemarketing for change... [voz feminina diz] “hi, this is sarah jessica parker falando e eu i’m calling vou estar te telefonando you para vote for osama, ouh, obama

*** nada mais evidente do que esta letra ser composição de Raul Seixas e Paulo Coelho

 

[EM TEMPO] Corrigindo a info abaixo: o lançamento do Dirceu é amanhã!

a tal da bienal

Esse ano, compareci cedo à Bienal por puro acaso. No dia 25.10, fui à mostra individual da Néle Azevedo na D’Concept (galeria que é uma graça), exposição celebrando o retorno dessa minúscula titã com sua intervenção poderosa derretida em Florença, e todos os presentes iam direto aos pavilhões niemeyerísticos – parêntese, foi notado sabiamente que este arquiteto, auto-proclamando-se comunista, sozinho se apoderou de uma cidade inteira para planejar. Bem, longe de mim ter um ingresso para a inauguração. Mas deu vontade e fui no dia seguinte. Sim, exatamente no mesmo horário dos pichadores, juro que não notei nada [fórum: Pichação é ato poético?]. Cabia escrever algo sobre a Bienal, é tanta crítica para lá e para cá que a gente fica que nem vira-lata manco em tiroteio.

 

+ supercrica “esta bienal... reflete a arte contemporânea?

 

[Ainda mais depois da passagem pelos e-jornais da tarde - essa coisa horrorosa sobre a Advocacia Geral da União (AGU), esse José Antônio Dias Toffoli e o Jobim que concordam em perdoar uns torturadores da época da ditadura... dá um nó no peito... de imaginar quantos amigos, colega de trabalho do teus pais, de teus irmãos não estão querendo dar um tiro em um agora. Aflourar miolos. Das eleições gringas nem falo. Em 2010 será Dilma versus Heloísa Helena? E nem irei falar dos lançamentos de amanhã. Quem é que não sabe?]

 

Na realidade, é imprescindível dizer que a Bienal está porcamente organizada. O cheiro de madeira, com pranchas como uma marcenaria, que convidam o público a trabalhar, a continuar o ofício do artista, isso tudo foi traído por uma ausência de amor. Ninguém consegue entender nada, uma desorganização espacial incrível, a comunicação visual é inexistente, obras jogadas pelos cantos. Custava ter uma plaquinha com o nome do artista, obra e propósito? Ou ser didático é achar que diminui a inteligência? Claro que sim. Também é terrível a nítida falta de dedicação dos expositores à bienal. São obras requentadas, já exibidas em mil outros lugares, remakes de materiais – um jeito assim sem carinho, sabe? Meio que de limpar porão, embolsar cachê que-não-deve-ser-lá-essa-maravilha e despachar via DHL.

 

Contudo, tem uma idéinha por trás encantadora. Uma luzinha minúscula. E espremer essa idéinha é o propósito da tela branca de hoje. Creio que 60% das obras apenas se completam com a interação do público. Não, nem me refiro à instalação, ao fato do público ter que tocar na obra, nada disso. Refiro-me ao conceito de autor mesmo: o cara é apenas quem dá uma idéia, te dá um espaço para criar, propõe um jogo - não mais quem te diz o que é arte, o que te esmaga com sua sabedoria genial, o que não mais te çoca um produto na cabeça e sim oferece um processo. Entende? A crítica Aracy Amaral disse que isso (seria a tal "arte de processo"?) existe desde os 70, eu nem ando vendo não.

 

O grandíssimo problema, as usual, é pensar qual jogo ou qual espaço será suficientemente poderoso para que a pessoa-público considere aquilo arte. Algo que possa modificar sua percepção do mundo. Algo que possa quebrar seu cotidiano e instalar uma outra lógica possível, mágica, sei lá. Mas a pergunta fica aí, não?

 

O que percebi, na minha segunda visita, por motivo de nossa excursão-surpresa da Piolheira no último sábado, é que a Bienal cumpre mal certo papel. Cheia de guardas e medos. Um pote de doce em frente de crianças, me falaram. Expulsando gente que não entende o que acontece ali porque não há didática. Expulsando gente descalça, sem camisa, gente desajustada e cheia de metais nos detectores. A minha Bienal no fundo é ainda o Kqi gritando “Eu estou descalço! Eu estou descalço”, com um monte de segurança atrás. E os seguranças mesmos pedindo desculpa 15 min depois, “puta, cara, na moral, não é pessoal, sacô, é que não pode autorizar”. A Bienal tinha que ser o poema do Kqi escrito depois.

 

A criação do lugar que só as botas de Judas conheceram.

 

: um vídeo de 2s que fiz lá com minha máquina fotográfica

 

retomando meadas...

Sim, sim, parece que conseguirei estar aqui com a devida freqüência! Que felicidade! Bem, conto então o que passou durante estes tempos de vazio intermitente de aquário. Amanhã digo da Bienal. Que parece ser notícia velha, mas farei não ser, hehe, te juro. Vamos ver, quase nunca cumpro promessas por aqui. Vc sabe.

 

[0] Não pude ir ao lançamento do Claudinei Vieira, ai, ai. Ele nos conta o que perdi aqui

 

[1] Copiando os bullet points marcelinísticos com colchetes, lá no Pirata de Aquário, blogue espelho desse para dar lugar a “experimentos internéticos”, propus uma discussão sobre “a poesia brasileira hoje”. Nada mais chute em cachorro morto. Contudo, depois de observar os processos de descachorrização que as petshops em Higienópolis operam em totós, creio que temos certa chance para ressuscitar em parte a coitadinha discussão... Assim, deixei uma página livre de wiki em branco com a questão COMO DESCREVER A POESIA BR NOVA EM BULLET POINTS? O resultado está lá, bem bizarro como imagino que deva ser. Continua em edição pública, se vc também quisar participar. Sexta publico a versão final.

 

[2] O motivo da “consulta pública” acima em pontos de bala foi que no Chile, no Festival Poquita Fe, proferi uma palestrinha sobre isso e queria que rolasse um knowledge sharing. O festival foi incrível, incrível, a cobertura pode ser lida e vista também no Pirata. Quando me animar, conto o que falei na tal charla – acho que deu bem certo.

 

[3] Ainda nos pontos internéticos, participei da SAPO - Semana de Arte da POLI falar sobre “Literatura na Era Digital”. Também merecia uma compilação o bate-papo – quem sabe não aproveito novembro para fazer essas reflexões? Vc me ajuda? Tudo que digo por hora, é que fui muito bem tratada, e o vídeo do El Libro de Alan foi aplaudido. E encontramos um real sapo por lá.

 

[4] Fundamos a PIOLHEIRA! Uma oficina intergalática de criação literária. Encontramo-nos quinzenalmente no Espaço Zero, mas temos uma comunidade virtual, na qual contamos tudo o que fazemos por lá. Vc pode se cadastrar ou mesmo ir assistindo, como a Amália querida faz da Argentina ou o Vitor, aqui de Sampa mesmo.

 

Até agora, os participantes decidiram “o meu projeto para dia 13 de dezembro”, ufa, uma grande coisa. Agora, vamos colocar isso em prática. Baseados nas caixinhas da oficina chilena Moda y Pueblo, com muita leitura e atividades clube-da-luta-lúdico.

 

Acho que por hora são essas as notícias. E que me sigam os bons.

 

quem linka o peixe
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