O Casulo nº 5

O Casulo nº 5 traz textos de 15 poetas - acompanhados das respectivas críticas que participam da seção Toma lá dá cá, além da entrevista com o jornalista Ivan Marques, ensaios de Claudio Daniel e Iván García, e a prosa de Mario Rui Feliciani e Marcelino Freire.

 

No blog, é possível falar mal dos tais 15 poetas por meio de comentários e causar algum sensacionalismo literário.

 

Gostei bastante do debate com o Roberto Zular, Ana Paula Pacheco e Jorge de Almeida (professores da FFLCH-USP), a Camila Diniz (editora do Suplemento de Minas) e com mediação do Frederico Barbosa. Levantaram-se mais questões que respostas. Depois fomos ao bar, pois como ficou dito pelos próprios professores, ali ainda é o lugar em que se conversa francamente sobre literatura, pois parece que a cordialidade entre copos e mesas cai um pouco por terra.

 

Fotos: aqui

Banca de flores & meus amores na calçada

 

Fotos do Belo-Belo no mesmo link!

poesia nas escolas

Conforme o blogue do Sérgio Vaz, vem aí o Multirão Literário que levará recitais poéticos às escolas públicas de Taboão da Serra. Conhecendo a garra desses caras, vai ser, anota.

 

E agora mesmo li no blogue do Rodrigo Ciríaco, hoje 20h haverá o I Sarau da Ocupação João Cândido: música, poesia, teatro e projeções, organizado pela Brigada de Guerrilha Cultural do MTST. A evocação do Almirante Negro me traz uma melancolia (sentimento de merdinha, hein, Del?) sobre um tempo em que a poesia não se apequenava em Fran’s Cafés e na frente do computador.

A Carta Maior!

Até podia contar como foi legal ontem o Belo-Belo na PUC (muito bem organizado!) ou mesmo falar que na sexta, depois do lançamento d'O Casulo terá o CAI MAU dos Maloqueiristas, tudo lá em Pinheiros. Mas há algo mais urgente:

- A Carta Maior está em vias de fechamento!

A Carta Maior é uma agência independente de notícias que sempre manteve um alto nível de jornalismo sobre literatura contemporânea (dentre outras matérias), principalmente sobre as menos favorecidas pela “mídia oficial” - como melhor exemplo, escritores africanos atuais. A agência mantém um especial Lusofonia e publica ótimos artigos e entrevistas sobre o tema.

Pois bem, a agência está em vias de fechar as portas por falta de financiamento. Não, nada de se resignar e ficar mal. Isso já é nosso cotidiano, senão anti-depressivo não estava em moda. Sei bem que o povo de lá tem muito sangue e resiste e é exatamente em respeito a essa fibra que não devemos ficar em lamentos.

O que fazer então? Bem, há 3 editoriais que explicam a situação: aqui - como medida emergencial, se vc se cadastrar junto com as outras 33 outras mil pessoas, isso ajuda a encontrar patrocinadores. E se repassar a amigos ou até publicar no blogue, muitas outras pessoas ficarão por dentro. E comunicação não é isso? Isso já ser um pouquinho ativo, veja só, inclusive é possível nessa manifestação falar mal de vários veículos que vc detesta, daqueles que não dá para não ler. Sigamos de mãos dadas.

(Ah, sim, se seguir deprimido, creio que o melhor mesmo é se afundar: leia Planeta Favela do Mike Davis, que não anima nada, mas indigina e já serve. Difícil se portar perante a barbárie, não?! Resistiremos).

belo belo meus belos

Saraus e debates literários têm fama de serem troço enfadonho, cheio de gente elegante falando bobagem. Pois não, há quem contradiga o estereótipo. E não estou falando do Rio de Janeiro, com sua poesia falada rolando solta (saudades da Clauky e do inVerso...) e sim de coisas que acontecem por aqui:

 

[QUARTA] Belo-Belo: o CA 22 de Agosto realiza a primeira manifestação artística do Projeto, com direção artística de Zulu de Arrebatá e apoio da Casa das Rosas. Música e poesia nas vozes de Zulu de Arrebata, Frederico Barbosa e Marcelo Ferreti, Maloqueiristas, Dom Paçoca, Newton Val, Luis Marra, Causa P, Marcelino Freire, Jocélio Amaro, Malungo, Tião Soares, Pedro Osmar, Jorge Dissonância e yo.

Achei interessante que diversas linguagens estarão presentes, de grafite a poesia. Já escolhi o texto que levarei. TUCARENA, 19h.

 

[SEXTA] Lançamento do Casulo nº 5 e do Suplemento Literário de Minas Gerais

Debate: Caminhos da Literatura Contemporânea

Professores Jorge de Almeida, Roberto Zular, Ana Paula Pacheco e Camila Diniz

Mediação: Frederico Barbosa

Biblioteca Alceu Amororoso Lima, 20h

formatos e idéias

Mais sobre o livrito do Leandro Jardim (leia-se ‘jarchdim’):o Poesia Presente são folhas soltas, presas por um elástico e capa dura, que se transformam em pequenos cartões com poemas. Boa essa para distribuir cantadas.

Outro formato legal são as famosas "plaquetes" - minha predileta ainda é a Ninguém, um dueto da poeta Virna Teixeira com o artista plástico Leonilson. O projeto gráfico é do Eduardo Jorge (a foto caseira obviamente não capta a genialidade do design). Quem disse que literatura se faz só de papel e caneta?

 

 

fiesta!

A próxima edição d’O Casulo será lançada dia 30 de março, sexta, em grande pompa (sei), na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Depois passo detalhes.

 

A tiragem dessa edição é 3 mil exemplares. Por conta dos 15 paus do VAI, a próxima tiragem passará a 30 mil nas duas edições seguintes. Agora O Casulo será distribuído para 500 escolas da rede municipal ensino.

 

E anotem: dois dos editores não foram na baladinha, pois viraram a noite diagramando. Quem disse que seria fácil?

 

um dos editores com ares de profeta

(em lugar de estar trabalhando para a publicação, tsc, tsc)

 

um leitor

 

Jardim, direto do Rio, com sua publicação linda Poesia Presente

 

lindezas

 

[EM TEMPO] Domingueiras Poéticas na Casa das Rosas, 15h. Lá tem O Casulo para quem quiser.

amores expressivos II

 

Comentário do Del no boteco:

– Ué, não é nome de cafeteira?

 

conversa de ontem à noite

Um poema, deveras um poema! Quão estranho e quão maravilhoso descobrir essa “Haze, Dolores” (ela!) no meio daquele buquê especial de nomes, ladeada por duas rosas – uma princesa de conto de fadas entre suas damas de honor! Tento analisar o calafrio de prazer que me percorre a espinha quando vejo esse nome em meio a tantos outros. O que será que me emociona quase às lágrimas (às lágrimas quentes, grossas e opalescentes que os poetas e os amantes derramam)? O que será? O terno anonimato do nome sob seu manto formal (“Dolores”) e a abstrata transposição de nome e sobre nome, qual um par de luvas de pelica ou uma máscara? Acaso será máscara a palavra-chave?

Um trecho de Nabokov, na tradução de Jorio Dauster, para o Del, o qual me fez hoje substancialmente infantilizar uma de minhas personagens (que inclusive leva o mesmo nome da descrita acima). Enxugue suas lágrimas, terno amigo, que a vida é um vale amargo. Há!

final de semana

Final de semana animado é o que planejam. Quem estiver por aqui, anota. Quem não estiver, mandarei fotos e notícias (espero). E quem quiser mais, passa no blogue do Marcelino (e ai, jesussaravámeupai, como se consegue inventar bateção de perna e boca nessa cidade!)

HOJE: Marcearia. Pode inventar um motivo. Está calor?

AMANHÃ: Comemoração dos 15 paus d'O Casulo ganhos com o Edital VAI! Com a bênção de Don Bactone, no Bar dos Satyros II, Pça. Roosevelt, 20h. Promessas de Edu Lacerda a animar a fiesta!

DOMINGO: A Casa é um Palco - Domingueiras Poéticas na Casa das Rosas. Leituras e música organizadas pelo Carlos Savasini e o Edu Lacerda (sim, quem dá o show no tópico acima).

foto licenciada em Creative Commons para uso não-comercial de Sephiroty Fiesta 

de aves e estética

umas 10 linhas de conversa de bar (e blogue) que postei agora nos DOCES ENJOATIVOS: aqui

ilustração retirada de nature.ca

O Casulo VAI!

Saiu o resultado do VAI, programa de incentivo da Prefeitura de São Paulo aqui.

Alguns projetos bem legais foram contemplados, como as Edições Toró e a Revista Não Funciona dos Maloqueiristas. E O Casulo! Saímos do sufoco, por hora. Parabéns Edu e Déia, que sei bem como são os perengues burocráticos. E Berimba e Caco, valeu a fama na fila. Claro que terá festa, aviso.

amores expressivos

Manu, post confessional pq vc vai viajar.

 

Às vezes tenho a impressão que cedo demasiado: aceito convites com facilidade, envio textos aos que solicitam e vou aos lançamentos sempre que posso, sem pensar se minha 'imagem está superexposta', coisa e tal (e não perca texto fantástico da Andréa Del Fuego sobre "como ganhar um jabuti"). Enfim, tento reagir ao "meio literário" conforme meus instintos bem humorados, sem maiores esquizofrenias. Contudo, há oportunidades excelentes de se testar esse eqüilíbrio. O caso que trago não se refere a minha pessoa, o que torna claro tudo bem mais interessante, hehe:

 

Trata-se da escolha da Cia das Letras em financiar 16 autores, que irão com tudo pago para alguma cidade do mundo para escreverem um romance, com expectativa de isso virar filme. O que queria ressaltar não é a escolha editorial feita, que me agradou em vários aspectos, ou as cidades, bem criativas, mas sobre o baixo nível das reflexões pela net a fora a respeito do projeto, um exemplo seriam os 264 comentários no blogue Todoprosa (alguns bem engraçados), os quais pelo que pude ver resumem-se quase somente a torcidas aos autores eleitos, como se fossem escoteiros na brincadeira de time amarelo contra time verde.

 

É inegável a importância de discutir incentivos a escritores e não gostaria de o fazer aqui, pois entraria em dados jurídicos chatos (e já faço isso boa parte do dia). O que queria colocar é ele-mesmo, o mercado, que nos engole e transforma tudo em objeto, em personalidades, estrelas, em resultado, em preço. No caso em livro bonito e descolado, em filme com cara de alta cultura - o veja, não dá para não ler.

 

Se eu iria? Claro que sim e creio que para Maputo, falar português arrastado e continuar as pesquisas sobre o Craveirinha. Não se trata da adesão ou não ao projeto e sim a oportunidade que lhe dão que por meio da própria obra de arte se questione o que nos esmaga. O que espero é que alguns autores ali, por exemplo o Ruffato, Joca e o Mutarelli, consigam discutir essas questões difíceis em meio a esse suposto glamour todo, essa pressão que se fale sobre coisas refinadas, que se fale sobre o "amor", hahá - aquele eqüilíbrio que falei lá em cima.

 

Enfim, pressões de mercado é algo que em parte a poesia anda livre por hora. Mas é por pouco tempo, eu acho e aposto.

Beijo, Manuzita, boa viagem pras gringas! Vc tá é parecendo escritora.

 

Ps.: Tô sem corretor ortográfico, deve ter passado erro.

Ps2.: Antes que eu esqueça: hoje o Marcelino faz 40 anos. Toma uma por ele.

Quando surgirem

Esforça-te, poeta, por retê-las todas,

embora sejam poucas as que se detêm.

As fantasias do teu erotismo.

Põe-nas, semi-ocultas, em meio às tuas frases.

Esforça-te, poeta, por guardá-las todas,

quando surgirem no teu cérebro, de noite,

ou no fulgor do meio-dia se mostrarem.

 

 

Apenas consigo ler o poema do Kaváfis (na tradução de José Paulo Paes, Konstantinos Kaváfis - Poemas, Ed. Nova Fronteira) com um saboroso sarcasmo. Como diria o velho Blake, “those who restrain desire, do so because theirs is weak enough to be restrained”.

 

Outro presente do grego você encontra no Dragão na Janela.

homenagem

 

te faço

 

no banheiro

rangendo o silêncio, entre ladrilhos

 

ensacados

 

“People in Sacks” (apelido inglês da gravura, que não possui título em espanhol), qualquer semelhança com algum sentimento teu é mera coincidência.

Da Série Disparates de Francisco de Goya (1746-1828). Essa série, além da Tauromaquia, Os Caprichos e Desastres da Guerra, estão no MASP. Para quem não pode ir até lá, vai um link legal: aqui

campestre

céu na estrada

 

 

 monitorado por câmera

 

 

 

o campo e a tormenta

 

 

Os árcades nos prometeram outras coisas. Será o aquecimento global? Ao menos por lá, todas as televisões estavam ligadas no tal canal, seja no hotel, na rodoviária, seja no ônibus.

 

E depois respondo os recadinhos, que por hora estou em trânsito (até parece).

o dia da poesia
Foi ontem. 1 ano do “Feito à Mão” do Berimba (e as fotos do lançamento da Sandra realmente estão no Fóton).

Ontem também foi noite de amigos antigos lá no lançamento da Claudia. Leituras de poemas feitas por atores (como fica diferente! dessa eu gostei). É engraçado que algumas criaturas me fazem uma falta doída, principalmente o Daud. Mas acho que é assim mesmo o dia da poesia, como as relações da lua no eclipse das semanas passadas, ter por um momento perto aquilo que já se tem saudades durante.

Hoje a droga do dia é o suco de maracujá. No mais, maus poemas, alucinações e espera.

Ah, o melodrama... (Manu, era vc que gostava de post confessionais?)
coisas boas

[1] Revista Malagueta! organizada pelo blogueiro mais ativo que conheço, Alex Sens, traz muita gente de vários lugares. Aceitam-se textos (e sem a necessidade mala de serem inéditos). aqui


[2] K - Jornal de Crítica em versão online. aqui

[3] Poesia.net trouxe no boletim n° 200 o Lawrence Ferlinghetti, "o olho do poeta obsceno". aqui

[4] Série Alfa n° 33: d'ultramar & co. Traduções de Joan Navarro. Poemas de Thiago Ponce, Lila Zemborain e outros aqui

[E HOJE] LANÇAMENTO: A Mulher no Escuro, de Cláudia Vasconcellos. Bar Canto Madalena (r. medeiros de albuquerque, 471). Depois conto.

[E HOJE] LANÇAMENTO: Cada poema tem sua cor, Instalação de Sandra Ciccone. Com a violoncelista Vana Bock e 19 poetas contemporâneos. Casa das Rosas, 19h. O Victor del Franco disse que fará fotos.

expresso

Achei esse soneto desprezado ao arrumar meus arquivos. Acho que exatamente o que desprezo nele funcionará nessa interface de blogue. No mais, é bom largar francos os pontos fracos.



um expresso

o bilhete de embarque
referente ao uso de
40 cm por 13 min de balcão
apostei no almoço

para te dar a deixa.
um pequeno custo dentro
das minhas possibilidades financiárias
de hoje.

pois essa blusa rosa
deslinda
no máximo uma alça branca

pois sem convites
não há como te cobrar
o já chegou.

Respostas à memória de Hilda

A grande dama, mesmo ida, continua a suscitar paixões a seu redor.



Antonio Naud Junior escreveu para a Cult (aqui) um texto sobre suas relações pessoais com a Hilda Hilst. José Luis Fuentes, herdeiro, fez valer seu direito de resposta (logo abaixo do texto citado). Por fim, a Luiza Mendes Furia conta-nos (aqui) mais da história e publica uma foto impressionante em seu blog: ela a datilografar O Caderno Rosa. De minha parte, fico pequena com orelhas murchas por nunca ter conhecido a Casa do Sol.

fotos do lançamento

Fotos fresquinhas do lançamento de hoje. Que foi de muitos queridos e histórias incomuns. Alguns sorrisos para você que não pode ir.



o balcão





a lilian e a angélica




dona faleiros




fabiano, andrea e pesquisador mexicano





malu




mais um sorisso da lilian para constar e o caetano


hoje
como é notícia: bar balcão, 20h. tentarei fazer fotos. espero você por lá.

no mais, o victor del franco traz uma agendazinha da semana por aqui: http://foton.zip.net.
poema de antigas ramagens

 

Li o Inventário da Solidão da Luíza Mendes Furia. Às vezes fico meio sem palavras para descrever um livro, mas como gostaria de compartilhar contigo um pouco da leitura, começo pelo objeto em si: da editora Giordano (1998) é um buquê de delicadezas, desde o papel até o tom de azul claro da capa e a ilustração de Juan Gris (Guitarra, livro e jornal). Escolhi uma outra tela para o post.

 

A dicção dos poemas lembra-me alguns poetas alemães do romantismo, uma escolha de palavras simples, uma arquitetura que busca uma aparente simplicidade por meio do árduo trabalho de se chegar ao verso (“fazer versos/ como quem esculpe conchas”).

 

Aliás, pensei comigo: “pureza” é uma palavra tão difícil de utilizar hoje, depois de um nazismo, depois de bombas nucleares, depois do silicone, depois do second life, depois da vinda do bush. Talvez seja um pouco desse sentimento perdido que os poemas me tragam à pele.

 

 

POEMA-1

 

Esculpir conchas

tão delicadas

e diversas

é um segredo do mar

e dos moluscos.

 

Fazer versos

como quem esculpe conchas

um desafio interminável

ininterrupto.

 

 

 

APRENDIZADO

 

As palavras acesas

uma a uma

em cada esquina.

 

Não tenhas medo.

 

Dessa forma iluminadas

as ruas em silêncio

estão ali apenas

para um exercício de nossa coragem.

manifestação

19:00. desci lá com a marossi. pegamos a chepa da manifestação e beijos de amigos. estou cansada para escrever. deixo as fotos.

 

o trânsito e a manifestação

 

a tela de segurança

 

as bombas vista do aquário

 

curiosos observam do heliporto vizinho

 

manifestante

 

bush, persona non grata

 

perna de pau do efeito paralaxe

 

sorrisos ao fim do dia

 

das entranhas do masp

 

lacaios e porta-vozes

 

 

as duas marocas ao final do dia

 esperando a chuva torrencial passar sentadas no ponto de ônibus. valeu, chica!

18:00
agora são ambulâncias no meio da multidão e motoqueiros que buzinam. o protesto está confinado em um quadrado de capacetes brancos. vou descer. o poema do craveirinha.


TERRA DE CANAÃ

Não, piloto israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
E nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
As belas palavras do Cântico dos Cânticos.
E voa mais baixo.
Desce velozmente mais baixo no teu caça-bombardeiro.
Voa mais baixo. Desce ainda mais baixo piloto hebreu.
Desce até Eichman. Voa té ao fundo dos ascos.
Acelera até os motores e as bombas de fósforo
Contigo oscularem sofregamente o chão sagrado.
Foi para este holocausto que sobreviveste
Ao teu genocídio nos tempos da Nazilândia?
Achas que é esta a tua ambicionada Terra de Canaã?
Tu achas que assim ganhas a paz na Terra Prometida?
as bombas na paulista
aqui do aquário do 17° andar envidraçado, com os helicópteros como moscas, eu ouço as bombas de gás lacrimogênio, eu vejo o que é correr e são gritos no microfone. são 17:35h e só me sobra você agora agora agora

o império nos ensina.

cda: meu ódio é o melhor de mim.
8 de março - parte II e final

Aubrey Beardsley, Salome

Que Dios nos bendiga

Tracei uma proibição para mim mesma a respeito da leitura de jornais. É insuportável, ou talvez intolerável seja a palavra exata, ler diariamente a quantidade de matérias-tampão que criam (que vão desde BBB até as novidades cosméticas em célula tronco), assim como tentativas inúteis de se manterem “neutros” frente a problemas que há várias décadas têm velhas posições pré-estabelecidas. Nesse ponto advogados são mais dignos que jornalistas. Mentira, gosto demais de meus amigos jornalistas e sei que aquilo ali para eles é trabalho e ponto.

Bem, com a vinda do império em pessoa para cá, dei umas folheadinhas nos jornais pela manhã. Não deveria. Senão não estaria aqui, com pasta de dente ainda na boca e maquiagem ainda pela metade datilografando para você.

 

O império em pessoa incrivelmente pronunciou palavras em espanhol em seu último discurso, que traduzidas soam assim:

“Meu recado a esses ‘trabajadores y campensinos’ é: Você tem um amigo nos Estados Unidos da América”.

O pronome demonstrativo já diz tudo.

 

Agora fico imaginando minha mãe ouvindo esse discurso. Depois penso uma a uma em minhas tias. Filhas de São Paulo, na mistura de português com índio com italianos. Então em minhas vizinhas, com as vassouras no batente do portão a darem tchauzinho uma para outra. E reflito: a quem isso engana? Por que está nos jornais e na boca do imperador do sistema solar? A nossa jornada de trabalho de 11h por dia em um dia calmo e nosso salário e nosso imposto são acaso normais? A puta que foi amarrada atrás do carro e esfolada viva é normal? Esse calor era esperado e é culpa de mais uma era da glaciação? Por que não contam nos jornais que tem uma gang a espancarem até perderem os dentes gays entre augusta e jardins (e que não andavam sozinhos)? O que são essas sucedâneas piadas de mal-gosto apregoadas com um ar blasé de vernissage?

 

A foto do Maurício Lima (AFP) é linda. Mas é melancólica. A rua está vazia. Aguardo a quinta-feira.

lançamento das traduções de edwin morgan

Para inaugurar o cardume de fotos, afinal, foi do ímpeto paparazzi que essa brincadeira toda começou (ou quase).

 

Houve gaita de foles. A leitura do Chris Mack e Virna foi excelente. O Chris fez o comentário insólito da noite: quando pequeno, o Edwin Morgan visitou sua escola. E o Chris disse que nunca poderia imaginar que iria ler ali poemas do cara no Brasil... quem poderia?

 

Quem perdeu, amanhã tem mais no Bar Buda.

 

 

Nas fotos: altivo recém-voltado do bonfim, paulo ferraz, a vivi batalhadora da rato de livraria, victor del franco e a tábula rasa e o palco da leitura.

 

a vez da crítica: rumos do itaú cultural

mais uma tentativa de se ganhar dinheiro com literatura. experiências burocráticas são garantidas.

 

de minha parte, digo que achei muito legal valorizarem a crítica. agora em dezembro vamos ver qual crítica. leia detalhes aqui.


a semana

Por aqui, quem manda no naipe é a tradução, dama da vez com 2 lançamentos:

 

TERÇA: Casa das Rosas, 19:30h

“Na Estação Central”, poemas do escocês Edwin Morgan

Tradução, seleção e prefácio: Virna Teixeira. Ed. UnB

 

QUARTA: Bar Buda, 19:30h (r. Harmonia, 112)

Cadernos de Literatura em Tradução n° 7

Participação especial do citarista Alberto Marsicano

 

E olhe, pelas confirmações de presença e comentários no final de semana, os dois eventos prometem. A cítara e o whisky que não segurem.

8 de março - parte I

Copio e colo um texto do Del que expressa muito sobre o dia 8 de março.

 

 

 

Flerte e Violência – retirado de Doces Enjoativos

 

“Na forma que a prostituição assumiu nas cidades grandes, a mulher não aparece apenas como mercadoria, mas, em sentido expressivo, como artigo de massa. Isso se indica através do disfarce artificial da expressão individual a favor da profissional, que acontece por obra da maquilagem. Que este aspecto da puta tenha se tornado sexualmente determinante para Baudelaire, o testemunha, enfim, que suas múltiplas evocações da puta nunca têm o bordel como pano de fundo, mas, ao contrário, a rua.” (Walter Benjamin)

 

Como se dá com os produtos, que se transformam em mercadoria ao serem embalados e colocados em exposição, a maquiagem e as roupas das prostitutas explicitam seus valores de troca. Por isso, não é de se surpreender que uma moça vestida de forma apelativa seja abordada por um cliente em potencial, se estiver passeando na rua Augusta. Tal possibilidade é ainda mais factível se a apelação vier encarnada, no silicone dos seios, por meio da musculação e seus suplementos; além de implantes, tatuagens e expressões corporais. A assunção do caráter de mercadoria torna-se trabalho, demandando a mulheres árduo esforço em torno de sua transformação. Em casos extremos, a busca pelo ideal do voluptuoso, efetivada radicalmente pelos homens cujo fardo é a masculinidade, aproxima moças da figura mitológica (também pela tentativa de concretizar o ideal) do travesti.

 

Seja na balada, rua ou bar, encontramos a homogeneização do espaço, utilizado como vitrine. Por isso, o regime do flerte é tão agressivo. A disposição de mercadorias em prateleiras é o disfarce do ativo com a máscara da passividade; os produtos não aguardam compradores que os possam levar – os produtos os levam a comprar, imbuídos de apelação. Drummond revela esse mecanismo quando escreve “mercadorias espreitam-me”. De sorte que, quanto mais mercadológica, silenciosa e imóvel feito objeto, mais violenta, a mulher; trata-se de um espreitar.

 

O desprezo é seu maior afrodisíaco; apaixona os compradores que se enganam com o fetiche da mercadoria. Abusando-se do asceticismo, faz de si mesmo peça rara; quanto menos atenção der, mais recebe – chega a um grau de sadismo tão intenso, que em seu relacionamento bem fadado, não pode haver nada da consumação do ato sexual; por isso é necessário um masoquista. Como está na canção do Radiohead: “ And I wish I was special/ You´re so fuckin special/ But I´m a creep, I´m a weirdo.” Assim, a relação pode ser fixa; os dois são namorados que não se beijam: “She´s running out again”. A separação torna-se elemento essencial para o casal se unir.

 

Do mesmo modo como os conquistadores, que trocam facilmente de parceiras por conta de não as amarem efetivamente – possuem mero valor de troca; as mulheres que espreitam sem olhar podem guardar um gérmen de lesbianismo. E não é tão incomum o tipo que transa de graça, mas não beija. O gozo está na aflição do apaixonado; assim ocorre a vingança por ter perdido a individualidade, transformando-se em valor de troca. Produto sim; todavia, inacessível.

[EM TEMPO 0] Tanto o Del quanto o Urso serão publicados em Cuba, por ganharem menção honrosa no concurso internacional Pensar a la Contracorriente, no qual concorrem pessoas do mundo inteiro, a maioria professores universitários. São uns lindos! aqui

 

[EM TEMPO 1] Copio e colo trecho do texto do Márcio-André sobre espaço urbano:

“Como sempre, os bairros menos centrais, por sua marginalidade forçada, por serem depósito de toda rebarba do desenvolvimento industrial, acabam concentrando ainda mais fortemente essa desorientação temporal, esse desequilíbrio de ser que constitui o mistério das ruas”. leia aqui

 

[EM TEMPO 2] E ahá, dessa vez vi em mão o poema da Angélica na Revista da Folha!

 

[EM TEMPO 3] Preparem-se que essa semana temos eventos sobre tradução! A serem divulgados oportunamente (para os curiosos: aqui).

Lugar Comum 2: Ponto de fuga
os dois olhos pequenos arrepiados
ainda molhados pelo jumento do sonho.

os dois bicos de seio assustados
nas tramas do tecido grosso.

dos quatro pontos faiscavam paralelas
que se cruzavam muito longe.

paralelas que se cruzavam muito longe,
onde o arco-íris fincava suas cores,
onde as calcinhas rosas se fundiam aos lençóis,
de onde todos os desejos desenhavam perspectivas.



poema publicado no Rasgada (2005), escrito após a lida no caderno rosa da hilda em hilst.
quem linka o peixe
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