outrora

O bom de ter blogue é que nada por aqui é muito definitivo, afinal, tudo o que é sólido se desmancha no ar. Por exemplo, posto hoje novamente, apesar da promessa abaixo de ficar quieta. É que muitas questões erguem a mão e, como professora atenta, tenho que as escutar. Victor, pode me tirar sarro.

 

A Patrícia Parra é minha amiga de muita data. Daquelas datas em que vivíamos todos os segundos iguais umas desesperadas e que não poderia existir um dia sequer sem grandes acontecimentos, noitadas e fofocas. Foi pela Patrícia que conheci a Hilda e a Ana C., ah, sim, antes de tudo, somos duas loucas por poesia. E também foi a grande responsável em vivenciar comigo certas paixões que desaguaram no Rasgada (até hoje me recordo de minha cena patética chorando apoiada no armário da cozinha dela e de um posterior passeio pela Augusta à noite), em revisar e odiar vários poemas meus, em ser sincera e desbocada nas horas certas.

 

Pois bem, a Paty hoje mora em Brasília, chique e comportada, o que nunca impede de se lançar à empreitada da escrita. Ela está a reunir um volume de poemas, Rascunhos, e os publicar. Quando? Isso é pergunta que se faz para poetas? Bem, trago um terceto para vc, ilustrado pelo Beijo (1892), de Henri de Toulouse-Lautrec, ainda sou fascinada pelo pintor. 

 

Revolução Francesa

 

Robespierre gostava muito

dos seus olhos verdes

da cor vermelha do Sena.

 

 

Amanhã o plano é assistir com Herrn Guaxinim o Na noite da Praça, texto do Alberto Guzik e direção de Luis Valcazaras, vamos ver se não nos atrapalhamos com horários. Vc está convidado: Satyros I, 19h, Pça. Roosevelt.

o Império do pode abrir, folhear e ficar à vontade

Está valendo a proposta abaixo, hein?!

Não vá arregar!

 

A noite louca de ontem trouxe a força maior da postagem de hoje. Não é que o próprio Fadoul está agora fazendo hora extra durante o espetáculo para promover o novo espaço de Don Bactone nos Satyros I?

 

Sim, não se limitando mais às calçadas dos Satyros II, Don Bactone exige de todos a corvéia. Vejam outras denúncias no blogue do Mário Bortolotto: aquiaqui e aqui. E o Ademir conta a história aqui.

 

De minha parte, cativa ante a pressão, obedeci a sugestão de Don Bactone e adquiri o “As façanhas de um jovem Don Juan” do Apollinaire e o “Vidas Literárias - Ezra Pound” do Peter Ackroyd. O último, aliás, tem um ótimo tom irônico que não permite que se endeuse o autor (normalmente não gosto muito de biografias), veja esse trecho entre parênteses: “na verdade, os comentários de Pound a respeito de si próprio e de sua obra devem ser sempre encarados com uma certa reserva”, não é excelente?

 

 

o imigrante Fadoul faz hora extra promovendo Doze Peças do Bortolotto

 

 

Detalhe para o uniforme.

Será que a próxima exigência para andar seguro no local?

descartei. agora é sua vez.

Postei bastante nos últimos dias, então agora fico quieta até o final do feriado. Entretanto, águas paradas não movem moinhos e aqui fica um convite:

 

- você me indica um blog legal?

só não vale brasileiro

 

Explico: viajo às vezes muito longe procurando blogues sobre literatura & cia que eu possa acompanhar, afinal mantenho longas listas e pastas nos meus favoritos do Mozilla. E às vezes tenho dificuldade de encontrar uns bons sem serem brasileiros. Inexperiência e labirintos, claro - longe de mim de achar que é privilégio dos brazucas terem blogues interessantes.

 

O Barbão disse que começará uma lista, inclusive uma das sessões terá “nome de "Los Writers" porque são os Chicanos que, em sua maioria, escrevem em Spanglish”, viu como dá para se misturar? Como diriam algures na Roosevelt, se joga!

 

Agradeço muito as colaborações!

 

foto do diego carrera

fresta entre frestas

foto é da Sissy Eiko - estava com saudades

 

Existe um lado fundamental da produção, que é conversar com o outro. No caso, a Maiara Gouveia é um ótimo exemplo disso, pois nada melhor que conhecer alguém antecipadamente por meio de seus poemas. E descobrir depois milhões de coisas em comum.

 

Pleno Deserto” é será seu livro. Data de publicação? E lá poetas têm disso? Digo que a Maiara tem um estilo de lírica bem corajoso, visceral, em que se recoloca uma dicção poética do sublime e da profundidade que parece que ficou esquecida do outro lado do Atlântico entre fados e portugueses. Escolhi um para vc que evoca também outras conversas. Como já dito, foi o deserto que deixou pegadas em mim, não obstante o normal ser o contrário.

 

 

Embebida

 

E o nítido arranjo

dos lábios, um a um,

e o despudor de vê-los

inocentes,

desnudos num

ir e vir medonho,

embebedada duma

realidade úmida

e carnuda, a coxa nua

roça pele contra pele, o quase

encontro e desencontro

de mim dentro daquela fresta

que ora sobra, ora se insinua

num abre e fecha; as pernas

embaraçadas sob a mesa,

a sombra trêmula

dos pés no chão, o torso

dele na camisa

entreaberta, a cabeleira

em caracol evoca

a noite estrelada

em Holanda brilhante

e turbulenta,

e o deleite ainda evola

feito de um gole de absinto.

 

 

Não gostamos nada de limites de caracteres para postagens!

Querida Maroca,

 

Sei que vc começará a rir quando ler essas linhas e fazer rir é exatamente o que eu gostaria de realizar ultimamente, colocar a certa verve do bar em outras mesas, difícil. Ouvi dizer que o Brecht achava o Hegel um grande humorista, como pode ver o conceito de humor também é cediço.

 

Encontrei agora o Paulo naquele japa por kilo (sim! vc viu que saiu a data? Ontem falei disso a noite inteira!) e fiquei com saudades. E escrever essas coisas em blogue é ótimo, pois é a arte de se escrever sem dar nome aos bois e dizer verdades inteiras, pois vc bem sabe que os tribunais do estão aí para manter certos ditos entre calúnias e difamações. Perceba que essa maneira calculada de sofrer e escrever adequa-se perfeitamente aos virginianos (risos). Sinceridade é para os trouxas ou para os apaixonados.

 

Ontem foi um dia difícil, daqueles que vc tb conhece, como os dias de muitas outras pessoas - na realidade, não há dias fáceis hoje em dia e a gente acostuma. Talvez ontem não tenha sido um dia difícil, mas daqueles que a gente fica velha demais (me lembra a Absoluta). Sim, esperei por muito tempo notícias que não vieram e há dias em que os minutos são gananciosos e compridos como as pernas das figuras perfiladas do Giacometti. Contudo recebi outras que me deixaram submergida em pensamentos – emails com uns poemas longos e intrincados e ainda outros de uma escrita clara. Tem dias que a poesia é assim, labiríntica, fugidia, a teia de Penélope que nos enforca aos pouquinhos e que nos transforma em anjos azulados, sem sexo suficiente para perseguir as paixões do mundo. Como querubins enrugados, às vezes a gente fica velha demais.

 

Mas isso passou. A noite trouxe sua agitação e palavras amigas. O Victor falou coisas sobre o poema que vc tb gostou (dos refugos e resíduos, fiquei meio emocionada até, mas nem dei pista – virginiana advogada, hahá) e encontrei o Edu e milhões de queridos. Fui lá no lançamento da Annita, várias energias boas. Hoje vou indo miudinha.

 

No mais, as vitrines teimam em errar o inverno nas previsões do tempo, por aqui ainda faz o calorão. E você sabe da Manu? Ela foi pro Rio e não dá notícias.

 

beijinhos

retirei imagem daqui

(resposta da carol aqui)

ainda ana c.

Leia a epístola que o Paulo Ferraz escreveu, é uma das coisas mais bonitas que li nos últimos tempos: aqui

 

(e sobre outras coisas belas, os dois novos livros do Paulo já têm data para lançar: véspera de dia dos namorados. confirmarei)

um convite...

Sarau na Vila

Grupo Bastidores                                    mais aqui

Livraria da Vila

R. Fradique Coutinho 915 

19h Abertura Grupo Bastidores

Apresentação da Revista Bastidores

19h10 Apresentação Instrumental: Kadu

19h20 Leitura de Poemas e Entrevista ao Vivo: Ana Rüsche

19h30 Diálogos Clandestinos: com Carla Caruso e Cristina Torres

20h Apresentação Instrumental: com Sérgio Moreira e Waldir Jr.

20h10 Leitura de Poemas

Poetas: Rodrigo Capella, Vanessa Morelli, Tata Castelo, Arruda, André Amaral, Lunna Guedes, Lúcia Helena Correa

20h30 Apresentação Musical

Família Jacaré

Zeca – Nina – Luciana – Wagner – Vanessa e Juliana

20h45 Apresentação Teatral

Virgens a Deriva de Ruy Jobim

Elenco. Vanessa Morelli – Fernanda Sophia e Débora Aoni

Exposição: Renan Albachi e Paulo Marcondes Neto

... e outro convite: sobre ana c.

Às vezes não me acostumo que algumas pessoas que gostam de poesia nunca leram Ana Cristina César. Lembro-me bem da primeira vez que li Ana C: foi muito estranho, era como se o que estive ali escrito fosse exatamente meu ideal de poética, só que depressiva demais. E o ciúmes inicial progrediu a vício, hoje já não consigo viajar longe sem A teus pés.

 

O trabalho que a Annita Costa fez foi muito corajoso: uma obra crítica sobre essa criatura que sempre me soou felina e arisca. Colo o trechinho inicial de um .pdf que mostra o estilo gostoso da Annita:

 

Em dezembro de 1982, Ana Cristina Cesar publica os poemas de A teus pés, juntando ao novo livro os três primeiros que haviam sido produções independentes. Em outubro de 1983, menos de um ano depois, é lançada a segunda edição de seu livro. No dia 29 deste mesmo mês, Ana Cristina, aos 31 anos de idade, decide colocar um ponto final à sua vida, saltando do apartamento dos pais no Rio de Janeiro.

Como escapar dessa imagem da autora que se interpõe entre o leitor e o poema? Cabe-nos escapar? E esta mesma pergunta, cabe-nos, ainda, fazê-la?

 

Não deixem de acompanhar:

Territórios Dispersos: A poética de Anna Cristina César, por Annita Costa Malufe

Lançamento: Bar Canto Madalena, a partir das 19h aqui

Miss E. B. come o fruto proibido

Tenho muita admiração por poemas que conseguem unir simplicidade com narração, acho difícil de serem construídos. Esse do Donizete Galvão é perfeito, redondo e com um bom humor impecável. Não dá vontade de tomar caju amigo e ficar de cabeça tonta como a gringa, hahá?

 

 

Miss E. B. come o fruto proibido

 

para Paulo Henriques Britto

 

Zanzando pelas ruas do Rio,

a gringa dá com o cesto de caju.

A fruta demasiadamente escandalosa

exibe tons intensos de amarelo

que, na ponta, passam a vermelho.

Cravada no seu corpo, nua,

há uma indecente castanha.

O caju lhe parece uma mulher

que deixa à mostra aquilo

que deveria estar entre as dobras.

Miss E. B. cai em tentação.

Morde a polpa fibrosa da fruta.

O sabor travoso impregna-lhe as papilas.

O líquido leitoso escorre-lhe

pelos cantos da boca.

Sofre um curto-circuito alérgico.

A cabeça fica do tamanho de uma abóbora.

Em New Yor, sua médica,

quem sabe, lhe diagnosticasse:

– O caju faz mal aos calvinistas.

Nos corredores da casa,

tão extremosos, os criados

- cuja indolência ela criticará mais tarde –

entre risos, cantam o baião:

“Eu tô doente, morena.

Doente eu tô morena.

Cabeça inchada, morena.”

 

Donizete Galvão, Mundo Mudo, Nankin Editorial, 2003.

refugo, resto, resíduo

[EM TEMPO] Segunda-feira haverá a leitura de texto do Sérgio Mello, Aos ossos que tanto doem no inverno, MASP, 19:30h aqui. E se vc não conhece o cara, a Bruna Beber traz poemas dele no Portal Literal.

 

A composição poética é cheia de cortes exigentes e de latas de lixo. Pois sim, consegui finalmente chegar em dois poemas curtos que me custaram algumas madrugadas. Onde estão? Bem engavetados com a etiqueta “inéditos” para acalmar editores que me exigem a tarja certificadora. Não, nada de mostrar em público, devemos manter o sadismo nas relações entre leitores e escritores.

 

Mas fiquei com dó do que restou dos poemas, uns pobres versinhos passionais. Assim, já que linkarei a baladinha do findi semana - os outros bárbaros!, aproveito para deixar algo sobre noites e manhãs, o que sobrou dos tais poeminhas curtos: o refugo das composições sobre o dia seguinte. Não, não estou chamando o pobre peixe de aquário de bagre, hum, camarão, quem sabe?

 

[nota biográfica: odeio limite de caracteres para postagens]

fim de noite e dia seguinte

 

 

I. quatro horas vencidas. a recepcionista

com seu arrulhar telefônico

já antecipa as asas irritadas das pombas

que farfalham pelo novo dia e por mais milho nas calçadas.

 

 

II. a manhã nasce clara

enxame de vozes na padaria que não dorme

 

- um queijo quente e um guaraná.

 

podiam ser passos que oportunam as pombas

mas a manhã não é tão certa

 

o dia gorjeia encapsulado entre metais e luminosos

III. ressaca é o estômago a saber

como o labirinto confuso do ouvido.

 

eu me recordo de você na rua dia alto,

soterrando-se ante a bocarra do metrô.

ainda falamos: – seriam rasas as sapatilhas do Van Gogh ou

seriam as botas com pegadas em série do Warhol?

 

e discordo, veemência: o Jameson não é apenas um whisky irlandês.

 

labirintos dos ouvidos nos miolos, arrulhos de pombas.

e confiro: ouvido médio, ouvido interno e o estômago,

reafirmo ainda distintas: direita e esquerda, claras como facas.

bigorna, estribo, martelo – não haveria também a foice?

 

labirintos dos ouvidos sobrevoam até o sol

 

e ainda sinto o farfalhar nas asas, fiapo de lembrança

que me prova o pescoço, que me pede mais um beijo daqueles,

dulcíssimo mordisca todos centímetros de revoluções submersas

tua pele macia, ombro sem sombra, como pode esperar tanto tempo

 

o sol alto derrete as asas de cera. aspirina? tenho aqui na bolsa.

Literaturas de Língua Portuguesa em Perspectiva

É um curso de extensão na USP, bem legal. Custa R$ 30,00, inscrições pela net, aberto a qualquer interessado. De 5 de maio a 16 de junho, sábados das 9h às 12h30.

 

O programa tá ótimo. Clica aqui

altas ajudas e literaturas

Um primor de senso de humor proveniente dos cachinhos de dona Andréa Del Fuego:

Como ganhar um Jabuti

Foto: Mean and Pinchy

O massacre dos Carajás completa 11 anos e estou velha. Soube pelo blogue do Guzik sobre os tiros na Virgínia. Ontem presenciei duas brigas no banco - na primeira, mera discussão, um era rouco; na segunda, um homem socou o aposentado, velho não sente dor eu ouvi. Sigo deprimida por esse abril em lugar de vermelho, dizem que sou eu é que sou muito sensível, ou o nordeste que é sempre seco, o mundo um buraco branco onde as idéias são claras e os tempos são escuros.

 

Talvez, então, o leitor acredite que nada é mais fantástico e louco do que a vida real, e que o escritor só poderia apreender tudo isso como um reflexo confuso de um espelho mal polido. – do  ETA Hoffmann ainda em 1815. Imagine o que não seria em abril de 2007. A ironia fica de refúgio. Entretanto, não seguirei refugiada, prometo.

lousa de recados

O tempo está bem curto. E confuso. E não consigo rascunhar os poemas que queria, enfim, ficam na vontade.

 

Mas li a última edição das Mininas, está linda.

 

Também recebi notícias de um gatinho que precisa de um lar, tenho certeza que conseguirá: “ontem a noite Binho e eu achamos um gatinho de menos de um mês abandonado na rua da nossa casa. Ele cabe na palma da mão, é marrom com olhos azuis grandes, gosta de cafuné, leite e já sabe usar a caixinha de areia”. candidate-se aqui!

 

Infelizmente sou incompatível com essas criaturinhas elegantes, não me inspiram poemas e sim momentos de asma, alergia, espirros e coceira. Voyeurismo, no máximo. Gatos para mim são pardos e outros.

 

E hoje o plano é ir à leitura na Academia Internacional de Cinema, organizado pela Flávia Rocha e Marcelo Carneiro da Cunha. Até onde sei, e a sugestão da presença já basta, estarão presentes a Ivana de Arruda Leite e o Dirceu Villa. O tema é O Fim do Mundo, 19:30h (já lembro o Dem Bürger fliegt vom spitzen Kopf der Hut, usw...). Leia mais no blog da Ivana aqui.

 

Depois conto do Desconcertos – acabou a pilha de minha máquina fotográfica, mas deve ter restado alguma no tacho do chip.

vício na fala

   revanche

é aberto ou

e fechado

 

    mas por todo lado,

  é que não se discute.

 

 

Mais um poeminha de pé-quebrado em comemoração à vinda da santidade. Dedico ao Fabio Aristimunho pela sacadinha fonética.

 

E amanhã tem o Desconcertos na Pça Roosevelt, 15h, Sebo do Bac. Passa lá, detalhes aí embaixo.

santidade

para a Mariana Flesch

 

a que deus irei orar

se foi ele próprio que nos condenou

a sermos cindidas, doloridas

tocadas por essas ânsias e vertigens pecadoras

 

a que amiga irei pedir

a compaixão que nunca recebeu

por sentir calores, desejos que logo repreendeu

entre o batom delineado nos lábios comprimidos

 

apedrejem-me, apedrejem-me

: que orar é para os de pouca fé

e para os tolos curtos e obedientes.

 

pois quando fitei as janelas cerradas

e sufocada pedi por luz, mais luz,

apenas ligaram o ar-condicionado.

 

 

[EM TEMPO] o Marcelino posto ontem um “gritO” meu. Ele coleciona berros aos quais gentilmente cede espaço no blogue, outros foram do Sacolinha e da Ivana.

Dois Momentos com Café

Minúsculo lago

circundado por

porcelana, bem cabe

nesse quase raso

leito o pensamento,

voluntário náufrago

de um rodamoinho

que gira anti-horário

carcomendo o tempo.

 

Na margem oposta,

um rastro de boca

de mulher canhota

lança morno às ondas

negras um dormido

beijo — talvez nade,

talvez chegue à minha ou

apenas bóie e morra em

doce e amarga cova.

 

Como já foi dito, 2007 anno domini: anunciam-se, dentre outros, o De Novo Nada e o Evidências Pedestres do Paulo Ferraz.

 

Esse é um poema que me diz muito. O Paulo é um dos poetas que mais gosto e pior que mesmo o conhecendo pessoalmente isso não modifica esse julgado, hehe.

 

Lembro que há muito (nove anos?) tempo atrás ele nos trouxe o dois momentos com café para lermos em roda. Após finda a leitura em voz alta, um certo silêncio - que em lugar da admiração sem palavras logo se mostrou como uma incompreensão sobre as duas estrofes. Recordo que fui bizarramente a única quem compreendeu o tal suposto beijo por correspondência em uma xícara de café usada (inteligência súbita que atribuo ao uso constante de cosméticos), aí tudo tornou-se claro por todos. E são esses reconhecimentos entre amigos nos dizem tanto.

Desconcertos na Praça Roosevelt

Desconcertar é retirar de prumo certa coisa, livrá-la de suas regras, surpreender, perturbar seu ânimo, quase uma melodia às avessas. Pois bem, é para isso que se convida, com as bênçãos de Don Bactone: Desconcertos na Praça Roosevelt!

 

Normalmente são leituras entremeadas a bate-papo, cerveja, em clima sossegado, nada daquele ar de púlpito (como já foi algures dito, o bar é a praia do paulistano).

 

E haverá liqüidação de Rasgadas! Se você ainda não tem um exemplar, é hora de se mostrar interessado e molhar a mão do chefão da Praça – o que é inclusive recomendável para circular na área sem percalços...


Sábado, 14 de abril, 15h, Satyros II

Pça. Roosevenlt, n° 127

Realização: Desconcertos e Sebo do Bac

 

com Jarbas Capusso - Marisa Lobo - Anna da Hora

Paulo F. - Fabio Brum - e yo

páscoa
E se fez a Praça Roosevelt em 7 dias! 2

 

Sim, ainda a muvuquenta Roosevelt no feriadão. Adorei os palhaços no Parlapatões e a interpretação da Fernanda D’Umbra em Impostura, que mulher!

 

E falando em foto, conheci a Lenise Pinheiro. Acompanho com freqüência suas fotografias e sei que faz a iluminação de várias peças. A Lenise tem um blogue com o Nelson de Sá que acompanho diariamente por indicação do Guzik... pois bem, para quem gosta de teatro: Cacilda. E há imagens lindas sobre ontem!

 

O Metrópolis estava por lá – deverá ir ao ar na segunda, 13h e 20h, TV Cultura.

 

 

Procissão na Pça. Roosevelt: viaturas, cantos e santos

E se fez a Praça Roosevelt em 7 dias!

A Paixão de Cristo ontem itinerante pela Praça contou com Bactéria de apóstolo, Maria com ares budistas e muito batuque. Uma criança jura que viu a noiva do Chucky por lá, quem duvida?

Pois se tua coelhada está por essas bandas, não perca!

PROGRAMAÇÃO AQUI

(e as Marocas fazem falta por aqui).

 

vencida

Acho o poema abaixo magnífico, sobre uma imponência resignada com glamour. Para as pequenas derrotas na véspera de sexta-feira santa, para as Helenas que voltam para casa içadas pelos cabelos nas mãos de Menelau e para ainda as outras, que mais belas fogem com Páris.

 

 

VENCIDA pelo perfume das rosas,

partida

pela investida dos violinos em rasante

desequilibrando a sala,

partida

como um graveto estala

em algum recanto do corpo

e deflagra o que não se decifra.

Descida no curso de um susto

entremeado de vertigens

(a meia-pálpebra, o rosto dissimula)

nua, sem bússola ela emborca

mergulha

afunda

na delícia da derrota.

 

 

Claudia Roquette-Pinto, in Corola, Ateliê, 2000.

Kommt, ihr kleinen Krabben!

Venham, Caranguejinhos! Acabo de postar uma fábula nos Doces Enjoativos, que maravilhosamente resume o que ando a sentir.

Procurei um poema bem triste, mas mesmo a Ana Cristina me pareceu animadora hoje. Deixo a foto do Diego e uma tentativa de telefonema.

 

Creio que foi o que tentaram esconder o tempo inteiro no tal Maria Antonieta da Coppola que me deixou assim, é terrível toda aquela futilidade, tédio e cor-de-rosismos. Talvez também seja outra coisa, sinto a poluição bem pesada. Amanhã tentarei estar melhor para você.

cigarras, patos e flores

 

Qi Baishi (ou Qi Huang, 1864 – 1957) foi grande pintor chinês do século passado - tratou de paisagens do interior do país e mais tarde especializou-se em insetos, pássaros e flores. Também foi poeta e participou ativamente da consolidação do governo maoísta, com seus temas ligados ao camponês e ao nacional. Em 1952, recebeu título honorífico de professor acadêmico na Faculdade de Belas Artes de Pequim/Beijing e em 1953 tornou-se Ministro da Cultura da República Popular da China. Faleceu aos 96 anos.

 

Ao ver seus outonos, flores e bichinhos pensei logo que esse calor, ameaças de dengue e os desertos de cana-de-açúcar nos tornam um pouco saudosistas.

 

mais aqui

 

[EM TEMPO] Curso: Drummond e a Procura da Poesia

com Ivan Marques

9 a 30 de abril, às segundas-feiras, 16h às 18h

Informações: Centro Universitário Maria Antonia (USP)

 

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