do gênero epistolar III - no papel de luz

Maiara linda,

 

Antes pensei: escreverei à Andréa Catropa e à Maiara ao mesmo tempo – embora elas não se conheçam bem, ficaria de pista para mulheres interessantes baterem papo outro dia. Contudo, após a feita desfeita de ontem, não creio que a Andréa fique satisfeita com uma carta minha.

 

Aqui na net, tudo às mil maravilhas: o blogue da Virna faz anos, um orgulho a nós todas!, e o da Del Fuego alerta sobre a necessidade dos escritores resguardarem-se. Do quê?, poderia um desavisado inquirir. Entretanto, compreendemos perfeitamente a situação – entre algumas mulheres, poucos olhares bastam.

 

Iria em outra feita comentar teus acertos a respeito daquele texto sobre poesia contemporânea, mas a tendinite, ameaça sombria ao escritor do papel de luz, espreita-me e serei sucinta – tirarei férias do blogue. Sim, agora só depois do 9 de julho, melhor assim. Na volta, envio fotos, ficam os links.

 

No mais, nos encontramos na sexta-feira, não é, dear? Quero teus poemas fortes.

 

Beijo grande e carinho

já diziam que o amor jaz na certeza de fazer o mal

 

 

Ps.: Ah, sim, e não perca o Será, novo livro do Ivan Hegenberg, coleção Ragnarok – um selo de ficção científica e fantasia inventado pelo Nelson de Oliveira e pelo próprio Ivan... nas banquinhas da FLAP.

FLAP! eu vou

depois de amanhã

e aí?!

Um anjo

quero ver um anjo

enquanto a procissão analfabeta

quer beijar os pés da santa oca

esquiar com as costas dos dedos

em sua pele de azulejos sem rejuntas

pedir um autógrafo e o nome do shampoo

que lava seus cachos amarelos

quero ver um anjo

amarrando o cadarço

coçando a auréola

banhando-se junto ao bando

quero publicar seu sexo

será que possui asas e toca harpa?

Será que tem apetite e Aptiva?

Ou será que mata as tardes celestiais

a Luke Strike, vinhos vagabundos e baralhos de sacanagem

como na capa de um velho disco de Black Sabbath?

quero ver um anjo

mas se tiver escolha

fico com a Esquadrilha da Fumaça

 

Sérgio Mello

in No Banheiro um Espelho Trincado, Ciência do Acidente, 2004

Ele estará na Abertura da FLAP!, dia 29 na leitura na Casa das Rosas

 

O além-post é que a Alessandra Cestac, artista plástica que assina a foto, é que pensou em casar o poema do Sérgio com essa imagem. O Peixe de Aquário agradece hospedar carinho.

 

Bastidor: A Lelê será capa do meu romance a ser lançado esse ano, sabe-se lá quando - setembro?

do gênero epistolar II (a graça externalizada das piadas internas)

Oi, Ponce!

 

Sol por aí? Aqui continua frio. Espero que tenha chegado bem e que o bolinho de morango distribuído no ônibus da volta não tenha se lançado novamente ao chão em suicídio perante olhos gordos. Passarinho contou que você esqueceu todos os Casulos no carro, tsc, tsc – é uma vã tentativa de mandar recado que malandro não carrega embrulho? (embora o esquecimento no carro sempre seja um destino melhor que a carroça do Homem do Jornal Velho).

 

Outro dia me escreveram no orkut, não sabiam o que era saudades. E recordo a discussão já banalizada sobre a tradução da palavrinha ao alemão, teus adorados germânicos parecem apenas conhecer “Sehnsucht”, uma ausência do prazer físico em rever alguém. Aí pensei em te escrever:  imagino que saudades seja o que nos morde as orelhas antes mesmo da catraca do metrô engolir tua passagem e te enviar de volta ao Rio.

 

Ainda bem que dessa vez é por pouco tempo! E quando embarcar na sexta, não esquece o Sol em nenhum banco de trás – a Pça. Roosevelt pode não ter praia, mas tem bar.

 

Beijos e carinho,

outra hora edito o post com alguma foto.

do gênero epistolar I

Paulo querido,

 

Hoje é para você como a maioria das coisas que escrevo. Reli pela enésima vez o Evidências Pedestres ontem de madrugada. E a cada vez que retorno ao texto arrepio, percebo novas brechas, pois a graça do poema é reler milhares de vezes até saber cada uma das sílabas na ponta da língua e nunca conseguir o saber ao certo – há sempre sentidos armazenados que ascendem no momento certo do gatilho. Um poema não se deixa aprisionar.

 

Envio uma foto engraçada: o Gus e o Marcelino na Mercearia, depois do lançamento do Livro Falante, atacando os amendoins cortesia da casa. O Marquinhos refez o cardápio à mão, ficou ótimo, e nomeou um dos sanduíches como o ‘Bauru do Joca’ – conclusão irrefutável da noite é que a imortalidade do escritor é constar no cardápio e nas vontades das bocas num bar. O que seria um sai um Paulo Ferraz?

 

Por fim, você perdeu lamentavelmente a Fabiana Cozza cantando, que faz as almas chorarem até o talo, o que não se faz com palavras – creio que foi por isso que cheguei em casa e abri tuas páginas para ter as certezas dúvidas de volta.

 

E você me convida para almoçar essa semana? Nunca insisto três vezes com ninguém, deve ser os poemas, ah, essa melancolia.

 

beijo!

 

avisem os parentes e os periquitos!

[HOJE] Participarei do Sexta Básica na Casa das Rosas, 19h, evento que reúne poesia e música na batuta de Zulu de Arrebatá.

 

[SÁBADO] Cantos Negreiros na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, 18h. Sim, Marcelino e Fabiana Cozza arrasam! - depois não vai me dizer que não viu... Colo trecho do convite impagável da criatura: “ANA, queridamiga, não esquece de ir e de divulgar e chamar os amigos e o Gustavo e os Maloqueiristas e maravilha e parentes e periquitos para o lançamento do CD "Contos Negreiros", pela editora Livro Falante, em que eu leio, na íntegra, oh!, o meu livro homônimo, publicado pela Record em 2005. Do CD participam idem a cantora FABIANA COZZA e o percussionista DOUGLAS ALONSO”.

 

E se você não está por aqui, a TV Cronópios ajuda (e que projeto legal).

 

[DOMINGO] Lançamento da coletânea Sarau Grafado na Rato de Livraria, 17h. Coquetel com pinga boa. O que achei ótimo é o papel reciclado (e enquanto puder, usarei tb sempre papel reciclado, prometo).

 

A Casa é um Palco - Domingueiras Poéticas: 4 Shows (Mahalab, Ed Campos, Ozias Stafuzza e Grupo Abaetetuba) e lançamento de IMP. de Thiago Ponce de Moraes (veio do Rio para isso, aproveitem para tirar casquinha que é só bate e volta). Também haverá sarau aberto, com distribuição de 35 CDs e 10 livros para o público. Casa das Rosas, 15h.

Na FLAP!: Feira Livre de Livros

Moço bonito não paga e ainda leva?

 

Durante os dias 30 de junho e 1° de julho haverá uma FEIRA LIVRE DE LIVROS nas calçadas da Praça Roosevelt! (na altura do Satyros I, nº 214) Acabamos de conseguir o Termo de Uso da Subprefeitura da Regional da Sé! Louros ao Ivan Antunes, que botou seu lado causídico para quebrar desde o começo do ano (quem disse que nós não temos planejamento?, hehe).

 

Já há várias editoras interessadas. Você também está?! Seja editora grande, pequena ou independente, dê uma lida no Blogue da FLAP

o amor & outros demônios

Ia escolher o Do Amor, poema da Hilda, mas pensei melhor e preferi te mostrar algo com senso de humor (é o que nos resta): da Josiane Bosqueiro, super-poderes para agüentar a segunda-feira poluída.

 

kriptonita

 

nem o seu nem o meu

complexo de super-heróis

poderão salvar os violões suicidas

de fazer seu solo

contra o solo

  

No mais, o blogue do Ronaldo Braga, Bragas e Poesia, está de cara nova e tb exibirá vídeos por lá, boa notícia. O Canis Sapiens traz 2 poemas meus, cortesias a la web, gracias André! (o qual fechou por sua vez um romance sobre o mesmo demônio, agora expresso).

 

E não contente ainda, se quiser ler o Do Amor, no blogue da Virna consta aqui. Ah, mujeres.

O Banquete foi denso, leitura concentrada, entretanto, todos muito à vontade. Posto ao domingo ensolarado o que a Dona Faleiros leu, sempre charmosa. Trata-se de texto a partir do conto “Objetos Sólidos” de Virgina Wolf (no Germina ensaio do Ivo Barroso sobre).

 

Como criar para si objetos sólidos II

 

O espaço visível e o invisível foi tomado pela cidade. O espaço inteiro foi dividido em frestas e pontes escorregadias muito além das chuvas. A cidade se divide em duas: numa moram e na outra nascem. As que nascem são repletas de entradas e escoamento de água. A cidade parada, com as casas construídas exatamente no mesmo lugar, com os edifícios compridos que escalam. Todos os moradores movimentam as sacolas através do buraco delas para a mão segurar. O barulho das sacolas todas juntas se concentra e as deixam amassadas. As coisas de dentro da sacola saem. Caem. Todos recolhem. Olham para o chão. O chão, o que se mantém na horizontal nessa cidade. O chão mantém as sacolas vazias no ar. Numa certa horizontalidade. O chão olhado por baixo sem os passos. O chão em si, afogado nas calçadas. Mangas folgadas e maiores que os braços abraçam o chão. As mãos se abraçam formando um laço comprido. Sacolas coloridas não entram na cidade. Sacolas coloridas simplesmente não são aceitas. Pendem todas as sacolas penduradas. Só entram as brancas, dos nascimentos. As sacolas brancas nunca enfrentaram um processo de impressão colorida. O que eles estão pensando? eles pensam que estou colocada perto de onde sai a água por uma torneira e a água entre na minha boca por ser enfiada e aberta. O meu corpo absorve tudo isso que sai sem parar. Passa direto pela minha garganta sem detalhes. O que essas pessoas estão pensando de mim? Que eu estarei ajoelhada no chão perto da pia e que me arrasto comparando a altura dos objetos sólidos em relação a mim quando estou de pé? É isso o que eles pensam. 

 

foto da Dona: Paulo Ferraz lendo inéditos n’O Banquete

(é o que se quer fazer, após lançar 2 livros ao mesmo tempo)

pintar as unhas de azul

a foto retirei daqui

 

A Jerusa Franco (linda!) anota, as pessoas riem invariavelmente na cena da mãe esquartejada. O teatro ainda permanece o alimento - a música e a dança devem permanecer em algum lugar; as imagens, ah, são demasiadas, e o cinema ainda é um pouco morto.

 

Obrigada, Ivam amado, por me roubar nas barbas do mundo.

 

Os dias

 

Os dias se reproduzem num incessante ven-

daval de crises. A consciência se turva de

inquietude e todos os vícios se revestem de

coloração cordial. Estalar de risadas sobre

lombos virtuosos. Um cansaço imenso nos

transtorna a face escarrada no espelho. So-

mente o indestrutível é capaz de nos fazer

acreditar neste dia de outono.

 

 

Maurício Arruda Mendonça, Epigrafias

Ed. Ciência do Acidente, 2002

(este livro é belíssimo, li e reli muitas vezes.

Demorei para encontrar uma ocasião digna ao poema de abertura).

mais sobre os vídeos da FLAP!

Alguém de Woodbridge visita o Peixe – você mesmo pode ler meu contador, basta clicar no quadradinho “sitemeter” ao final da página à direita, por aqui tento ser às claras (ou não, né Maroca?, hehe).

 

E alguém de Lichterfelde visita o blogue da FLAP!, são pegadas em campos iluminados, mas é o que o Sahea escreveu, a palavra de luz não apaga a palavra impressa.

 

Dessa noção que não te alcanço pessoalmente e tb das idéias do Ricardo Domeneck de divulgar poesia por meio do Youtube é que os malucos do Gus Assano e yo pensamos em fazer videozinhos. Só que adotamos um “gênero” do documentário. Primeiro foi o Emboscadas, que discute a Faculdade de Letras e a produção literária. Agora, postamos os warm-ups sobre a FLAP!. O Gus é quem entrevista todos e me passa os arquivos já picados para eu decodificar, juntar os trechinhos no Windos Movie Maker e fazer o upload no Youtube – é um saco, mas aí lembro de Woodbridge e torço para que não seja um robô do Google.

 

Assim, não perca então o Dirceu falando que a FLIP é uma espécie de “best sellers com pedigree”, o Vaz concluindo que temos que coçar “os calcanhares da elite literária”, a Tania na cozinha, o Fabio Aristimunho na área de serviço, o Bac, o Rodolfo, o Del... E o Gus tem mais na manga, gravou depoimentos do Santiago Nazarian, Donizete Galvão, Ricardo Aleixo, Marcelino Freire, Ademir Assunção, Manoel da Costa Pinto e tantos outros. Quando estiverem no ar, aviso.

 

Vídeo III. As Propostas da FLAP [aqui]

Duração: 3:33 min, direção: Gustavo Assano

Participações: Anselmo Luis (Bactéria), Dirceu Villa, Fabio Aristimunho Vargas, Pedro Tostes, Rodolfo García Vázquez, Sérgio Vaz, Tania Pan e Vitor Sartori.

 

Vídeo VI. A FLAP e a forma de se discutir [aqui]

Duração: 3:34 min, direção: Gustavo Assano

Participações: Ana Rüsche, Anselmo Luis (Bactéria), Del Candeias, Dirceu Villa, Ivan Antunes, Ivan Marques e Rodolfo Vázquez.

 

Outros aqui. Por mais que vc não venha, fica um pouco mais perto, vamos de mãos dadas.

 

Programação da FLAP! aqui

Em São Paulo, de 29 de junho a 1º de julho

No Rio dias 4 e 5 de agosto

para não ficar em casa

HOJE: ver e ouvir estrelas, astronomia & leitura de poesia na Casa das Rosas, 19h aqui

AMANHÃ: O Banquete é servido na Alceu Amoroso Lima, 19h aqui

AMANHÃ: Lançamento 12 POETAS CATALÃES. Organização e tradução de Josep Domenech Ponsatí e Ronald Polito. Casa das Rosas, a partir das 20h com leitura, coquetel e tudo.

 

ou para ficar ao computador

Canal da FLAP no Youtube!: www.youtube.com/flap2007

+ sobre os vídeos da FLAP

Em ritmo de curta metragem

Reunir 8 mulheres certamente é um risco e exatamente no incerto é que aflora a graça. Entretanto, a realidade mostra-se invariavelmente mais exuberante que a ficção.

 

De pronto foi escolhido o gênero comédia como paródia, lembra-se do filme, 8 femmes? Nada mais acertado!, pois como te contar que no mailing que enviamos para milhões de pessoas trocamos o telefone da Academia Internacional de Cinema com o de uma clínica ginecológica? Voz educada: - Alô Mônica bom dia Clínica Ginecológica. E como te falar que o blogue da Virna sofreu ataques de hackers no meio da tarde? - Andréa Catropa já conspira: relações entre os dois acontecimentos? E providenciar gelo & geladeira & flores, claro, não pode faltar flores, essas estão lindas! E ainda chamar a atenção de uma senhora que simplesmente surrupiou uma plaquete? (ah, mas São Paulo é pequena e certamente nos cruzaremos em breve, querida).

 

Enfim, longe de ficarem petrificadas como Clarissa Dalloway, aqui se resolve tudo aos sorrisos. Na leitura, escolhi o poema da Simone Homem de Mello apenas para ter o prazer de pronunciar o verso “um sol sem zênite”, li Andréa Catropa e dediquei o Tempo de Guerra ao Altivo. Foi uma ótima noite, com amigos queridos e platéia próxima. Um poema da Silvana Guimarães para você.

 

Modo de Amar

 

não fales das tempestades

Que colhes por debaixo dos

Meus fragéis vestidos escuros

(não contes como sou feita de escuros)

nem da fúria com que os arranca de mim

 

não fales do meu anel

de como envolve teu dedo

(não contes que dedo)

nem o que faço com ele

para te ouvir chorar

 

Primeiro tempo do time

 

 

A organizadora

 

Silvia Chueire, garota do Rio

  

 

Virna e Barry

mostro a Carol: veja como dá para a gente aparecer na foto!

Claro que o lançamento do Paulo foi ótimo. Da parte extra-literária, trata-se duma desculpa oficialesca, assim como os casamentos, para reunir os melhores velhos amigos do Direito e ouvir as mesmas histórias engraçadas, veio gente de Brasília só para isso...

 

E ontem foi também esboçado o plano para o lançamento dos novos livros do Selo Demônio Negro (dentre eles, Sarabanda – um Caderno de Estudos): o Vanderley Meister, ilmo. sr. Editor, planeja uma grande festa para julho, balada mesmo, discotecagem de Virna Teixeira, autógrafo é marca roxa no pescoço (nada de se animar muito, claro que o serviço será tercerizado). E já pegue lugar na fila, serão 50 exemplares feitos a mão, ui – quem disse que poesia não é disputada?

 

Fechando o bar, xepa da Feira Moderna (foto da Ju Dinda)

 

Hoje o dia é das 8 femmes. Abaixo vai um poema meu que tem a ver, serviu de contra-capa do Rasgada.

 

 

Eu vou te pegar

 

isso é um fato,

o resto é futuro.

 

 

ps.: Há muitas histórias tristes soterradas aqui dentro, mas outro dia conto, o Sol, astro-rei ele-mesmo, contratou meus serviços jurídicos para minutar o bom humor & animar os namorados...

Mulher de saia descendo escadas (eu subindo)

Vista em seu constrangimento

de descer de um nível a outro,

quase que despida para

quem sobe e impossibilitada

de qualquer reação — fosse antes

uma lufada de vento, e

se defenderia firmando as

mãos sobre as coxas —, sublima-

se no mais perfeito exemplo

de chiaroscuro (um abajur de

lingerie — ou de algodão? — brilha

pra mim lá onde o sol não bate).

 

Por isso é tão difícil escrever sobre o Paulo Ferraz - não é lindo? Esse poema compõe o Evidências Pedestres (ver post abaixo). Procurei os versos iniciais do De Novo Nada para dar o gostinho (trata-se de um poema de mais de 500 versos), mas por aqui não os encontrei, computadores também são labirintos, a internet então...

 

E te encontro hoje à noite lá no lançamento? Amanhã posto uma canja sobre 8 femmes.

A segunda-feira é do Paulo Ferraz

, que desde 1999 está em jejum e nos presenteia com o lançamento de dois livros fodas: Evidências Pedestres e De Novo Nada, este premiado pelo prêmio Nascente (USP).

 

Nem sei muito o que falar, o Paulo Ferraz é dos poetas que persigo e adoro, tanto por conseguir me emocionar (às vezes raro), quanto por ser realmente um parâmetro na forma, sigo no encalço só tomando notinhas. Enfim, importantes demais esses dois livros, marcos divisores de certas águas. E se você não me acreditar, compra de dia dos namorados, aposto que trará sorte - cartomancia pouca é bobagem.

 

11 de junho, 19h. Feira Moderna

R. Fradique Coutinho, n° 1246 - Vila Madalena, 19h.

e a terça-feira é nossa

: lançamento da coletânea 8 femmes. +aqui

 

Em ritmo de curta-metragem, cada autora cumpre o desafio de trazer a público o seu trabalho em apenas dois poemas. São elas: Ana Maria Ramiro, Ana Rüsche, Andréa Catrópa, Marília Kubota, Silvana Guimarães, Sílvia Chueire, Simone Homem de Mello e Virna Teixeira (organizadora). Haverá leitura conduzida pela poeta e tradutora Flávia Rocha, editora da revista norte-americana Rattapallax, com a participação das autoras e convidados.

 

A coletânea reúne dicções próprias e vozes de capitais distintas do Brasil, como Curitiba, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, com vivências variadas, paralelas à literatura, entre advocacia, jornalismo, neurologia, psicanálise, sociologia, tradução e vida acadêmica.

 

12 de junho, 20h. Academia Internacional de Cinema

Rua Dr. Gabriel dos Santos, 142 - Higienópolis.

 

Ps.: Se você não estiver por aqui e quiser adquirir os livros do Paulo ou a 8 femmes, deixa um comentário, te ajudo: correio eletrônico & postal servem para isso. ;)

Fotos d’O Banquete

Leitura de Poesia Contemporânea ocorrida no dia 30 de maio, Casa das Rosas - leia sobre no Demônio Amarelo. E as fotos estão ruins, desculpa, falta de pilhas e inabilidade...

encontros

FOTOS AQUI

Encontros são uma delícia. Podem falar que é dentro do banco, mas a sala ainda é a vermelha. Coisa boa demais ver amigos queridos, como o Delmo Montenegro (Recife), surpresa de conhecer pessoalmente o Lau Siqueira (gaúcho de João Pessoa) e o Eduardo Jorge (Fortaleza), tirar milhões de fotos do Ricardo Aleixo lindo (Minas), rever a Greta Benitez (Curitiba), ser apresentado ao Leonardo Gandolfi (Rio), à Adriana Zaparolli, ao Carlos Fialho (Natal), à Susana Souto e à Glaucia Machado (Fortaleza), leitora do Peixe!, além, claro de encontrar as velhas caras ótimas daqui mesmo...

Tudo isso entremeado a histórias de quando o Lau publicou poemas em embalagens de camisinha, sobre o Aleixo no Estates e reparar que era muito arrumadinho mesmo o Fialho para ser amigo do Pedro Tostes – ah, se conheceram via net, hahá. O encontro com o José Castilho (PNLL) tb foi bom, esclareceram-se diversos pontos e os outros que ficaram no ar não escaparão da laçada.

Deu vontade? Se estiver por aqui, ainda hoje tem mais por lá. Senão, fica em paz com as fotos. As da Ivana já estão no ar, o Ricardo Myake conta suas impressões no Arquitetura da Palavra e o Bruno Dorigatti cobriu pelo Portal Literal.

E aqui paro, pois a Paulista hoje está a praia! Avistei periquitos verdes pela janela, a calçada ensolarada, cheia de mocinhos sorridentes (alguns sem camisa), domingo é dia de parada. O Guzik escreve sobre isso.

É Urgente & Literatura

Amanhã no Itaú Cultural ocorrerá reunião de escritores com o José Castilho, secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do Ministério da Cultura. O assunto: Políticas Públicas de Fomento à Criação Literária. A sala é a Vermelha, 14h às 16h. Vamos?

Aqui o Manifesto do Literatura Urgente

 

E um poema do moçambicano José Craveirinha, publicado em Babalaze das hienas (Maputo: 1997), cujas cópias esqueci e não levei a meu grupo de estudos ontem. Lembra-me as narrativas do Guzik sobre idas ao dentistas. Só que essa é mais violenta.

 

Prótese Bucal

 

Insolente

desalegria do riso

em patético mau senso de humor

 

e da sardónica dentadura alvar

ao bel-prazer das lâminas

que lhe desbeiçaram

a boca.

 

[EM TEMPO] Resenha na Carta Maior da Profa. Rita Chaves sobre Os Papéis do Inglês: obra do angolano Ruy Duarte de Carvalho lançada pela editora Cotovia em 2000 e agora pela Cia das Letras.

2 dedos de prosa

Hoje é prosa, pois o poeta é fingidor. E escrever é longe de ser arte solitária. Conto com amigos leitores preciosos, que graças! são tão psicóticos como eu, e telefonam de madrugada para reparar um trejeito de uma personagem, a cor do fundo do salão, a previsão meteorólogica (“chove a cântaros lá fora”), para não falar na disposição espaço-tempo inteira... hahá.

 

Enfim, após uns seis anos finalmente havia fechado o tal “romance do PAC” para revisão, afinal, pelo edital da bolsa de criação ele tem o cano na testa de sair esse ano. Entretanto, como meus leitores cobaias são extremamente sinceros, as críticas vieram cortantes e precisas como uma faca de fazer sushi. Assim, reabri o monstrinho como a uma flor despetalada, vermelha estampada na camiseta do menino baleado, que ilustra a primeira página da revista na banca.

 

E não adianta querer matar a tal narradora, ela já é morta faz tempos e no máximo posso carregar nas tintas de recalques e chiliques, os quais provavelmente serão bem recebidos por certo público. Para melhorar, ando me entupindo de Virginia Woolf, na tradução do Quintana, ah, é fundamental ouvir o português, e Clarice, receita de exercícios e remédios amargos do Del. Assim, se eu estiver muito chata, já sabem, a insuportabilidade é amalgamada por esse tipo de literatura.

 

Por fim, ontem fui à inauguração da exposição do Barry Wolfe, lá no Conjunto Nacional. Tratam-se de fotos de travestis sob um ângulo amoroso. Preciosidades saem da boca de Claudia Wonder, vc tinha que ouvir aquilo tudo - faz com que a gente se sinta sempre meio idiota ante certas histórias de vida. Calma, anime-se a carregar a terça-feira: um pouco de A Louca do Del Candeias para você (no prelo).

 

Eu lhe contei que vira uma trava linda. Ele me perguntou qual. Descrevi e ouvi: “É a Paula. É minha amiga. Eu estava com ela até agora. Eu te apresento”. O coração disparou e as mãos tremeram, resultado da luta entre medo e desejo. O pó desaparecendo magicamente, eu seguindo cada fragmento abduzido, acompanhando com o nariz e a pupila, admirando o concreto esfacelado, consumido pelas minhas narinas onipotentes.

diversos (ainda a puc)

Para resumir como foi na PUC? Essa pergunta assemelha-se a um etnólogo francês perscrutando um griot, tradicionalista africano, sobre “a vida na África” – resta claro que um slogan em linguagem científica não é passível de conter nem um tico dos 80-e-tantos anos de experiência do interlocutor. Quem esteve presente, vivenciou.

 

Gostaria de contar, entretanto, uma história bonita: a organização gentilmente fez 150 cópias de uma folhinha que preparei com o poema do Cristian de Nápoli, número de cópias que achei naturalmente antiecológico perante a provável perspectiva de ter 30 gatos pardos & pingados em uma sexta-feira à noite... Qual não foi minha surpresa que as cópias foram insuficientes! Umas 250 pessoas na platéia.

 

E ainda às 22:35h havia mais de 100 criaturas ainda firmes inquietas em raciocinar “pq poesia não sai na grande mídia” e outras questões conexas, sim, Douglas Diegues carino, olhe só tuas queixas por outras bocas. Enfim, uma grata surpresa. No mais, os peixes vêm junto com o jornal e contei sobre alguns nomes interessantes que escrevem hoje, caiu na rede, já viu. Os comentários do post abaixo dão pistas.

 

 

Ontem estive como “poeta convidada” no Rascunhos Poéticos na Casa das Rosas, grupo que se reúne aos sábados, mesmo que friorentos, para instigar a composição de esboços, andaimes para poemas. Li dois, papeamos, que turma ótima. Agradeço de novo o convite! Recorte da foto do famoso “saco dos rascunhos”.

 

Na mesma tarde, o Donizete Galvão lançou por lá o infantil O Sapo Apaixonado com direito a bolo de cenoura, refrigerante e brinde. Uma graça a história!

é hoje

Participarei de debate na Semana de Jornalismo na PUC. O que levar? Um poema do Cristian de Nápoli na manga (poeta argentino que escreve hj sobre o "Salida al Mar"), embates do Ángel Rama no corazón e meu caderno, que contém todas as anotações possíveis, de atas de reuniões a rascunhos de poemas. Refugos e folhas em branco são sempre úteis.  

 

Sinta-se convidado. O plano provavelmente é ir tomar cerveja na Roosevelt depois, embora o Del já tenha se decidido pela Torre do Dr. Zero. É melhor mesmo, pois  a gente irá se stressar (mentira, beibe, eu amo o cara).

 

Jornalismo Cultural e Arte, Cultura e Mercadoria na América Latina

Coordenação:  Prof. Fabio Cypriano e estudante Gustavo Assano

- Sylvia Colombo – Repórter da Folha de S. Paulo.

- Ana Rüsche – quem vos escreve.

- Daniel Candeias – Escritor.

- Vitor Sartori – Ensaísta.

 

Coordenadas a la país de las maravillas: Sala 333, "prédio novo", terceiro andar, corredor B. Rua Monte Alegre, n° 984. Das 19:30h às 22:30h.

 

[DICA] Fantástico blogue de viagem, tá excelente, não percam: Gegê em Portugal & cia. Viagem na acepção mais polissêmica - se vc não entende, comece de trás para frente: Impressões Transatlânticas. 

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