lista do mais-mais 2007 - parte 2

notícia do ano: duas melhores amigas casando, improbabilidades que a história nos confirma verdades - agora aguardo os bebês!

 

fato supreendente do ano: descobrir que Tavinho Paes é compositor do hit inesquecível “por Greyskull, She-Ra, me apresenta pro He-Man, teu irmãozinho é uma gracinha, e eu sou todinha do bem”, além de clássicos como “rádio- blá, bá, blá...eu te amo”, parceria com o Lobão e Arnaldo Brandão.

 

poema do ano: o da Ámbar Past, Cuando era Hombre

 

índice brasileiro do ano: descobrir que o blogue do Marcelino é um dos mais influentes do Brasil!, fiquei até amiga do cara, hahá.

criatura do ano: Gustavo Assano, dispensa justificações (vide acima com o cara do blogue + influente).

 

poeta do ano: Alan Mills y punto.

 

tensões do ano: vinda do Bush, do Papa, tropa de choque na USP, deus meu, como é que se sobrevive.

 

tristeza súbita do ano: Inocência (dos Satyros) saiu de cartaz...

livro do ano: A Louca do Del Candeias, tão esperada.

 

legião estrangeira do ano: amigo mercenário, do tipo faça-a-si-mesmo, preso no Congo – mesmo o Caqui em Jerusalém ou o Gegê nas divagações transatlânticas não conseguiram essa forma de proeza.

 

blogue do ano: o do Guzik, meu todos os dias.

 

imagem do ano: Lelê pelo João Wainer, quem mais?

crápula do ano: Serra, hahahá, terror total – saravá meu pai! 

editor do ano: Vanderley Mendonça & seu forno mágico de black demons

 

prêmios justos do ano: Petrobrás pro Joca, Bravo! pro Paulo Ferraz e PAC pro Dirceu Villa

 

prêmio injusto do ano: o PAC no Edital de Festivais de Arte premiou 2 festivais de teatro, 2 de cinema, 2 de música e nenhum de literatura. Mas a FLAP! vai rolar mesmo assim, citando Zagalo.

 

onde comprar livros todos os dias: na Rato de Livraria e no Sebo do Bac. Livraria Cultura é falta de imaginação e de carinho.

evento do ano: Tordesilhas no Brasil e El Vértigo de Los Aires no México

 

plano literário do ano: a FLAP! 2008, hehe

 

histórias do ano: humm, categoria mais concorrida... entre Gianca Guapaya contando suas aventuras na Rua Augusta competindo com as fotos que o Edu fez para a Aline e enviou a um homônimo... e sempre há os comentários do Altivo sobre "o amor, o gosto da gente, o gosto das coisas". Contudo, o Prozac no Proseco ainda é insuperável - muuuuuuu!

projeto literário do ano: O Casulo ser distribuído em 88 bibliotecas e 150 escolas públicas. Valeu Edu, Andréa, Victor, Elisa e todos os fofos!

animal do ano: o quati! que até o Alberto Trejo no México conheceu!, parece que 2008 já tem seu animal gravado nas estrelas.

mesa de bar do ano: Praça Roosevelt, em frente ao Satyros I, onde mais?, prolongada pelo passeio obrigatório até o Sebo do Bac para ver what’s up.

 

estratégia estética do ano (aliás, da década): sabendo-se muy bonito, Subcomandante Marcos anulou seu rosto, sempre negociando com a cara coberta, sendo assim o rosto das caras que nunca ninguém quer ver e nas todas que somos com um lenço na cara. Melhor que o pobre Che que virou biquíni da Rosa Chá na bundinha da GB.

 

frase do ano:- Se joga, delííícia!” (seguida sempre de risadas de concordância).

 

desculpas de sempre: para todos que o Papai Noel não entregou Rasgadas e livros prometidos pelo correio, assim como milhões de emails não respondidos, ai, ai.

 

conquista do ano: assisti uma palestra do escritor colombiano Alonso Sánchez e no final fui lá falar felicitaciones, essas coisas. Aí o cara vira e pregunta: "Éres mexicana?", hahahá - atestado de portuñol natiiiivooo! O melhor é que no poema citado acima da Ámbar, tem um verso assim: "'Ahora que soy mujer, cuando subo a un taxi, el chofer me pregunta: '¿usted no es de aquí, verdad?' Yo le contesto: 'soy orgullosamente mexicana'''.

 

baladinha: salsa com as marocas, quatis, guaxinins, alfaces, caquis e toda a turma da agropecuária urbana, hahahá - reveilão estamos no Baila Caribe certeza, há!

lista do mais-mais 2007 - parte 1

É bom pq “mais-mais” não significa nada, então a técnica permite que escreva qq bobagem – é necessário escravizar a técnica aos nossos propósitos e não o contrário. Obviamente falo da minha aldeia, se quer uma lista decente vá ler o Estadão.

 

2007 foi meio louco, contudo literariamente teve muitos frutos:

  • o Sarabanda – Um Caderno de Estudos (poesia) e o Acordados (romance) que saíram pelo Selo Demônio Negro (contarei do segundo, lançamento dia 18 de janeiro),

  • a FLAP! rolou com vídeos e até com o alvará do Kassab para feira de livros, Lei Cidade Limpíssima, assim como o Tordesilhas – Festival Ibero-americano de Poesia, plano que parecia inacreditável, delícia - enfim, os tempos são de vacas amarelas gordas, estas que também fizeram a fofíssima Antologia Trilíngüe da Vaca.

  • bizarramente deu tudo certo na performance nos 25 anos do Sesc Pompéia, quando “abri” o show do Cordel do Fogo Encantado, valeu Gus e Donny!, para não falar nas inesquecíveis gravações do Emboscadas,

 

... ufa, tem milhares de coisas lindas, mas deixa eu escrever a lista! vai acima que obviamente estourei o limite de caracteres.

especial 100 férias no peixe

Como os acessos continuam altos, sei que vc está aí rindo da minha cara. Aliás, rimos juntos – muy saudável. Amanhã começo a lista dos mais-mais-2007.

 

Hoje vai poema da Hilda, está na minha cabeça. Adoro, inclusive discutimos esse poema lá no curso do b_arco. E se vc achar muito escandaloso, na versão-menininha o mesmo jumento, de um poema meu que ficou no Rasgada.

 

A Cantora Gritante

 

Cantava tão bem

Subiam-lhe oitavas

Tantas tão claras

Na garganta alva

Que toda vizinhança

Passou a invejá-la.

(As mulheres, eu digo,

porque os maridos

às pampas excitados

de lhe ouvir os trinados,

a cada noite

em suas gordas consortes

enfiavam os bagos).

Curvadas, claudicantes

De xerecas inchadas

Maldizendo a sorte

Resolveram calar

A cantora gritante.

Certa noite... de muita escuridão

De lua negra e chuvas

Amarraram o jumento Fodão a um toco negro.

E pelos gorgomilos

Arrastaram também

A Garganta Alva

Pros baixios do bicho.

Petrificado

O jumento Fodão

Eternizou o nabo

Na garganta-tesão... aquela

Que cantava tão bem

Oitavas tão claras

Na garganta alva.

 

Moral da estória:

Se o teu canto é bonito,

Cuida que não seja um grito.

 

da Hilda, insuperável

 

 

 

 

Lugar Comum 2: Ponto de fuga

 

 

os dois olhos pequenos arrepiados

ainda molhados pelo jumento do sonho.

 

os dois bicos de seio assustados

nas tramas do tecido grosso.

 

dos quatro pontos faiscavam paralelas

que se cruzavam muito longe.

 

paralelas que se cruzavam muito longe,

onde o arco-íris fincava suas cores,

onde as calcinhas rosas se fundiam aos lençóis,

de onde todos os desejos desenhavam perspectivas. 

 

 

especial 100 férias no peixe

fotos do Siri, um que não é o Lambari, mas que dignamente se recusa a dançar. (embora faça gracinha para a foto)

 

 

Sim, sei muy bien o que é ficar aí do outro lado trabalhando, enquanto aparentemente o mundo inteiro foi para algum lugar mais interessante do que o plantado na frente desse computador.

 

Contudo, estou preguiçosa e deixo para ti a tarefa do post do dia: fuçar no UBU! E não me venha falar que nunca ouviu falar disso... Vc deve estar com tempo de sobra mesmo... Aí vc me conta o que encontrou por lá, hehe.

 

De minha parte, dei risada com o FAQ em PT:

 

"Pergunta: Eu posso usar algo postado na UbuWeb no meu site, num trabalho, num projeto, etc.?

Resposta: Claro. Nós postamos muitas coisas sem permissão; nós também postamos muitas coisas com permissão. Portanto, nós te damos permissão para pegar o que você quiser, mesmo que, em muitos casos, nós não tenhamos permissão nenhuma para postar certas coisas. Nós usamos mesmo assim. Você também deveria fazer isso".

 

Aguardo e mando beijo.

 

Ps.: o blogue da Maroca tá lindo também...

afinal de contas, todos os seres son artistas

o que se vê no minúsculo jardim de casa

 

Ando muito emotiva e queria aqui deixar um agradecimentinho às criaturas maravilhosas que me ajudaram a sobreviver a esse 2007 – nunca achei que estaria feliz por um Natal antes, tranqüila, esperançosa. Mas obviamente sem luzinhas, árvore, presentes, não chego a tanto!, hahá.

 

Enfim, em lugar de nomear as criaturas, que seria ridículo e desnecessário, pois elas sabem o que foram, queria postar um poema velho: por muito tempo achei que ele nunca mais faria sentido. Hoje vejo que faz novamente, não é lindo? E vc, criatura aí do outro lado da tela, inclua-se nisso – afinal, é por vc que estou aqui.

 

 

Minhas amigas

 

Não tinham a mínima idéia do futuro.

 

Mas descobriram

que a vida – por si só –

bastava

e era imensa.

 

A rara sabedoria

das gatas cochilando ao sol. 

 

 

 

Ps.: Ainda volto antes do Ano Novo para manter o Especial Não-Férias do Peixe, afinal sei muito bem como é trabalhar nessa época, hehe!

vista do ateliê da Néle, hoje com foto mais escura

 

Querida Alice,

 

Já não bastasse esse teu nome, que serve também para a coelhinha rosa da Julia, vc me provocou à exaustão com o teu Living By The Word (1988), o Vivendo pela Palavra, editado em português pela Rocco no mesmo ano, livro obviamente encontrado no Sebo do Bac.

 

Claro que somente uma criatura de outros planetas poderia surtir tal efeito em minha mente nesses dias perturbados por um mau humor que não me larga (me pega pelo pé no tendão inflamado). Enfim, vc deve saber que mudei depois do teu genial Possessing the Secret of Joy (que espera urgente uma tradução ao PT, note-se). E não me venha com essa, que te elogio assim para te provocar a benevolência, nada de artifícios retóricos por essas águas paradas, simplesmente há um tipo de respeito que é necessário para estabelecer uma discussão entre pares. Talvez por isso eu seja tão falsa em outras paragens, hehe.

 

Enfim, tenho é inveja desse teu mundo década de 80 em preto-e-branco, tão diferente de hoje e ao mesmo tempo tão igual. Fico pensando qual nosso direito de ter malva-rosites e cuidar de flores, acariciar canteiros cheios de sol, nossos cactos agora morrem em sua compulsão por água, no ar-condicionado, pobres condenados aos espinhos! O inimigo não é assim tão mais evidente e ao mesmo tempo é. Ah, querida Alice, queria é tomar uma xícara de café contigo lá no ateliê da Néle, cheiroso a cardamomo, e colocar pingos nos is sobre essas cidades tão mortinhas – ia te contar o que passa.

 

Contudo, hoje, querida Alice, não é possível tentar o pneumotórax, única coisa a fazer é tocar o la vie en rose. Deixo vc escolher o intérprete.

 

No mais, me aguarda. Armo-me de respostas para tuas palavras.

 

Carinho, essa coisa dura.

 

continua a chover

 

Querida Maroca,

 

Sim, eis que vamos de gênero epistolar novamente!

 

Recognizing the growing importance of trade in services for the growth and development of the world economy;

 

O gato angorá que se instalou debaixo da pele do meu pé continua gordo, agora estou tomando anti-inflamatórios para essa tendinite, vamos ver se melhora.... seguirei também os conselhos da Quati sobre baldes de gelo (um saquinho parece não ser suficiente - aliás, o blogue da Quati tá excepcional!!). Não se preocupe, recebo carinho via msn - as palavras e os amores conseguem transpor esse tipo de dispositivo frio de comunicação, vc sabe.

 

Wishing to establish a multilateral framework of principles and rules for trade in services with a view to the expansion of such trade under conditions of transparency and progressive liberalization and as a means of promoting the economic growth of all trading partners and the development of developing countries

 

Ando quieta e chata, pois escrever uma dissertação é aprisionante em demasia, deus meu. Parece que nada faz sentido – you know. Nem os blogues visito mais... E na lógica das doenças com reflexos psicológicos, se antes eu tinha problemas na garganta, pois havia coisas entaladas, agora que estou presa em casa, é o meu pé, hahahá.

 

Taking particular account of the serious difficulty of the least-developed countries in view of their special economic situation and their development, trade and financial needs;

 

No mais, aí estão 2 imagens do Ricardo Silveira, que conheci lá no curso de poesia com o Dirceu no B_arco (– que foi ótimo... saudades do povo, espero que no ano que vem seja assim tão legal!). Achei o máximo a idéia de carimbar as cédulas com poemas, conspiram que é crime, contudo me parece a semente de algo genial.

 

Hereby agree as follows

 

Vamos tomar sim nosso cafezinho e vc me conta tudo lá como foi no Rio.

 

Beijinhos para ti e tb para Miss D.H.

para vc

Hoje foi dia estranho, de correrias burocráticas a mensagens de voz em secretárias eletrônicas mudas, de visitas a hospital a uma xícara de café de cardamomo da Néle (quanto carinho pode conter uma xícara de café?).

 

Bem, terminei uma primeira versão de um poema que escrevo há meses, título é nome do livro da Ámbar Past, poeta de Chiapas que me cravou poemas na espinha. E nada de guardar inéditos aos editores de plantão, vc que me agüenta é que merece ler essas coisas.

 

vista do atelier da Néle

 

 

huracana

 

os ventos por onde teu nome ruge

transformam-se em brisas

pq meu esse corpo

– treliça de 180 tempestades –

te pronuncia, te

 

(eu,-aquela-que-já-esteve-no-

-olho-do-furacão,-no-lugar-

-onde-nada-mais-se-move,-uma-luz-clara-em-que-não-se-respira-

-e-o-mundo-flutua-ao-redor-nomeado-por-termos-técnicos)

 

chama: e vc me responde no movimento inverso,

como os redemoinhos dos hemisférios quando dançam

a nossos pés no ralo do banheiro, água quente em alentos de carinhos,

 

e vc me transmuta

de início com um sopro na nuca

depois me pede “a boca”

e assim te canto, te inspiro

com o todo o gesto do que há de mais delicado.

  

um certo tipo de beijo

também daqueles de cortar o fôlego

 

 

a mulher e seus segredos

Sim, vc sabe que estive ausente daqui, colando fragmentos do Acordados, o tal “romance do PAC”, que agora já tem um blogue, uma capa, um miolo e está impresso em 2 mil exemplares. E tem data de lançamento. Outro dia conto. Está aqui se quiser espiar: www.acordados.wordpress.com.

 

Mas, me entenda, estou um pouco triste, um dos mais queridos leitores do Peixe não o acompanha mais, por essas circunstâncias que a vida inventa e os homens obedecem, aguardo seu retorno, amigo. Ah, será logo!

 

E assim, para me animar um pouco e dizer de amizades, queria dedicar esse post a uma pessoa muito especial, que modificou em várias maneiras minha forma de ver/perceber as coisas, principalmente por sua generosidade. E quando se trata de arte, esse substantivo com a letra do gato é raro

 

: para a Alessandra Cestac, que está preparando sua exposição que será inaugurada na segunda-feira no 14º Salão da Bahia. Linda!

 

 

NOITE CARIOCA

 

Diálogo de surdos, não: amistoso no frio. 

Atravanco na contramão. Suspiros no

contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta 

do mundo: essa que não tem nenhum segredo. 

 

da Ana C. (claro!)

 

Lelê e yo, numa pose bem caseira para vc,

ante a versão final da capa do Acordados

Todos rabiscavam, uníssonos, o mesmo compasso, embora em direções opostas. Cardumes de dois peixes, um grande aquário com sua sinfonia misteriosa da inaudição e eram sereias que não se podiam vislumbrar os cantos e eram algas que balançavam em ternos velhos, sargaços de amores esquecidos, trazidos e levados embora com as ondas daquelas canções de outros tempos.

 

Havia muita música ali, mas Lola já não conseguia ouvir.

O universo pariu-se em uma explosão de frascos de perfume contra a parede do banheiro, 15 invólucros espatifados, cada qual contendo um ínfimo big bang. Entretanto, frascos de perfume não são tão frágeis quanto parecem: é necessário força, concentração e perseverança para quebrar um único contra a parede. Como a suicida que engoliu 500 comprimidos. Duração: 10 minutos. Engolidos um a um, tragados inexploravelmente na linha de montagem língua, glote, degluta. Caso a suicida suspendesse os movimentos mecânicos ininterruptos, acordaria provavelmente no hospital tetraplégica, com o fio de vida desfiando em depressão e o estômago revirado por lavagens estomacais. E ela queria paz. Dez minutos de concentração e perseverança contra a parede. Fibra. Como a suicida. O primeiro frasco foi lançado 3 vezes antes de findar em estilhaços.

rave

juro que foi minha mãe que teve a idéia de procurar isso no dicionário.

 

houaiss (português): substantivo masculino apositivo. reunião dançante de jovens aficionados de rock, rap etc., geralmente de caráter semiclandestino e não isento de espírito rebelde, que se instala em grandes espaços, não contando com uma sede fixa.

 

michaelis moderno (inglês/português): substantivo. 1. delírio, acesso de cólera, fúria. 2. elogio exagerado. 3. moda passageira, novidade.  4. festa louca e animada. verbo. 1. vi delirar, tresvariar, proferir palavras incoerentes. 2. enfurecer, encolerizar. 3. ser louco por, querer a todo custo.  4. falar com demasiado entusiasmo, elogiar exageradamente.

 

sábado agora. reinauguração da casa das rosas. VACAMARELA entra às 3h da manhã. eu vou e vc?

Escapulário

 

a minha mão escorre qual água lenta no dorso desse

                                                                         [animal

outrora somente selvagem

agora selvagem e sagrado

um animal belíssimo

sangue puro como a água limpa que ele faz chorar em

                                                                           [mim.

o sal das lágrimas provoca sede

de mais sangue.

mesmo que seja outro e não tão puro...

(a Água que chora lágrimas nos meus olhos também provoca saudade na Rosa. as colunas sociais dão notícia de um recente casal: a Rosa e a Mágoa. em priscas eras, eram outras duas: a Rosa e a Água. mas a Água — forte, universal e nômade — dançava com todas as flores, cores e coisas. A Rosa, precária, regionalmente localizada, existindo por fidelidade atávica e atada à sua própria terra, com raízes necessariamente fixas, não agüentou o que, para ela, eram traições e se casou com a Mágoa que, afinal, era só dela, da Rosa. a Mágoa, de semelhança com a primeira, só a aliteração, que fora, aliás, silenciada. a Água ficou triste mas, assim mesmo, continuou seu carnaval de confete e serpentina para cima de todas as coisas. e, vez por outra, inclusive, para cima da Rosa. a Mágoa, com ciúmes, aumentava de tamanho para defender seu amor pela Rosa. então, a Rosa, por não suportar nem ser infiel, nem o peso da Mágoa, desfolhava as suas pétalas. que até hoje morrem separadas e a seco. uma a uma. solteiras. sem ninguém para lhes ouvir as histórias de solidão.)

... no vão livre que se constrói enquanto penso tudo isso, 

a minha mão continua a escorrer qual água benta

no dorso do meu marido

a minha mão-fonte: que nunca seque!

ou tinta, ou lágrima: eis minha sentença.

e eis minha oração no cárcere:

“dá-me um pouco de texto que escapo,

dá-me uma só palavra e não estarei a salvo.”

 

ps: fiz um escapulário em forma de poema para as suas noites sem sono. fui bordando uma a uma as palavras para serem usadas como um colar em torno das suas espáduas, que me parecem sempre tão viris. como poderia mesmo você dormir com espáduas assim tão acordadas? aguardo que o meu escapulário surta efeito e faça com que você, se sentindo protegido durante o sono, durma sossegado.

 

 

Camila do Valle

a quem agradeço por ser tão hábil em desmanchar costuras

e inventar novas tramas cerzidas em lugares comuns

 

Foto: Diego Carrera

que fez aniversário esses dias e a contrário senso é quem nos presenteia uma nova série de fotos.

ainda: dobradinha de hoje

19h: Modo de Usar & Co., Feira Moderna

20:30h: Revista Mininas nº 13, Mercearia São Pedro

o que rascunhei depois de ler o sangüínea

A Girafa e o Rabo-Banco

(foto do beto, girafa da áfrica, banco da holanda, rabo..)

 

Os planos eram postar um poema perfeito tecido genialmente pelas suas inúmeras mínimas imperfeições da Camila do Valle - acho que foi o que mais me impressionou em todo o Tordesilhas. Desde que a Camila me enviou o tal poema via e-mail, li umas 5 vezes. É realmente bom, me comove demais.

Contudo, como adoro me descumprir, mudei de planos. E queria discutir contigo um aspecto só do Sangüínea do Fabiano: os diálogos que estão nele explícitos.

Bem, o ponto de partida é que o Fabiano fez com a idéia do livrinho de poemas. E ultimamente tenho refletido sobre isso como uma idéia fundamental. Adoram dizer por aí sobre uma eventual crise da poesia (que ingênuos!, hehe), contudo enquanto poetas se resumirem a escrever versinhos em livrinhos para serem lidos somente por poetas, essa resignação fará muito sentido.

Inclusive, um de meus piores momentos na Faculdade de Letras foi um dia em que um professor declarou, evocando ainda o paul valéry, que lindo que era esse tempo, o nosso, em que os poetas seriam lidos somente por seus pares! Enfim, desculpa, mas “esse tempo” não é o meu e, se for, ter consciência da dificuldade de sua negação é o primeiro passo para tentar o superar – afinal, não há nada mais bonito que leitoras adolescentes-revoltadas e velhinhas-fofas darem sentido a um único mesmo poema...

E, ao contrário das expectativas, o Fabiano escreve exatamente para poetas. Ahá!, mas não me pegam: a cada um de seus diálogos, sejam e-mails, dedicatórias, epígrafes, o outro é trazido sem o aparato do espetacular (por mais do que seja impossível o negar), são conversas com pessoas que existem, que produzem por aí, que estão vivas, que fazem fofoca, que adoram doces, têm manias – e isso faz toda a diferença.

O livro não está morto exatamente porque é um veículo de ligar afetos, amigos, experiências. Isso me encanta, é uma diferença grande. E aí a pergunta boba é: e se eu não conhecer as referências, no caso, se eu não conhecer a Adriana Calcanhoto? Bem, o livro continua a fazer sentido, pois a ligação não se desfaz, a Adriana vira personagem, é a ficção que a contamina.

Talvez vc aí possa dizer que eu extrapolei. Bem, sempre, meu jeito (dizeram ontem). Na realidade, ver na extrapolação um problema também tem muito de resignado nisso. E é importante dizer que meu comentário ao Sangüínea não se faz em critério da “novidade”, quem se pauta nisso é concessionária de veículo, mas sim em seu uso bem pertinente nas mãos bem humoradas do Calixto (que não é o benedito).

Nada a ver? Então me conta, hehe.

um daqueles

Os eventos da Vaca foram incríveis. Bom para fechar o ano.

 

E há todo um comitê, praticamente uma célula terrorista, se juntado planejar o atentado FLAP 2008 – estamos bién loquitos, como eu adoro. Prepara-te. E para celebrar, um daqueles que nem precisa colocar autor:

 

 

No meio do caminho

 

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

quem linka o peixe
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