aaaaai, que infernoooo!!!

 

acabei de deletar por estúpido auto-reflexo o post que escreviiiii. maiara!!, ia te responder...

 

chega de declarações ao leão do imposto de renda.

- queremos tigrrres!!

 

o L, merchandising da telefônica

e meninas da vaca uniformizadas

Querida Maroca,

gênero-epistolar-acabada-por-acordar-às-5:30h-a-semana-inteira (e dormir irresistivelmente às 1h, claro!).

 

hoje passei por a teus pés novamente. que terror. deve ser por isso que fico assim, essa coisa horrorosa. agora estou até procurando a breguice dos poemas para me vingar, hahahá. re-achei esse da ana delirando,

 

Cartilha da cura

 

As mulheres e as crianças são as primeiras que

desistem de afundar navios

 

(hum, copiei do novas seletas, a diagramação mais tenebrosa que já vi - mas acho que o poema está sim no a teus pés). e esse, só para não dizer que não fico assim. só para não dizer que um beijo faz pouca falta.

 

 

UM BEIJO

 

que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor.

 

 

poemas de ana cristina césar, novas seletas

ed. nova fronteira

 

E amanhã começamos no b_arco o 2008. Você vem?

outros tipos de estrondos

 

- o que significa "odumodnortse!"?

- significa estruendo mudo

  estruendomudo, pero al revés, jaja

- ah, estrondo mudo… se eu ficasse quieta

  era o que eu sentiria por você.

 

 

No dia 14 de abril (segunda) haverá no Memorial América Latina, em parceria com o Cervantes, um evento sobre César Vallejo.

 

A idéia é que seja um evento em que todos possam participar, em que público-expectador seja mais flexível, vamos ver se dá certo. Peruanos irão estar presentes com contribuições em vídeo, para que seja uma oportunidade de trazer algumas pessoas mais perto. A VACAMARELA participará com uma leitura. Se puderem ajudar a divulgar...

 

Bem, escolhi esse do livro Trilce (“que es una palabra inventada por él/ que es una mezcla de triste, tres y dulce”).

 

XIII

 

Penso em teu sexo.

Reduzido o coração, penso em teu sexo

diante do raiar maduro do dia.

Digito o botão da felicidade, está preparado.

E desaparece o sentimento antigo

degenerando com prudência.

 

Penso em teu sexo, o sulco mais fecundo

e harmonioso que o ventre da Sombra,

embora a Morte possa conceber e gerar

o próprio Deus.

 

Oh, Consciência

penso, sim, no animal livre

que copula onde quer, onde pode.

 

Oh, escândalo de mel dos crepúsculos

oh estrondo mudo

 

odumodnortse!

 

em Antologia Poética de César Vallejo

José Bento, ed. Relógio D'Água, Lisboa, 1992.  + aqui

listo

 

Pronto! Fiz minha tarefa de casa! Postei lá no blogue do curso Mujeres-Women-Mulheres – 8 Flagrantes sobre o Século XX(i) os poemas e fotos discutidos no 2º encontro (essa foto aí é da Biblioteca Alceu Amoroso Lima, é lindo o espaço).

 

No mais, o trabalho da Kiwi, Carne, está on line para ser discutido, tem vários links legais e a ver com tudo isso.

 

Separei para você esse da portuguesa Adília Lopes para iniciar os festejos de páscoa!

 

[MINHA AVÓ E MINHA MÃE]

 

Minha avó e minha mãe

perdi-as de vista num grande armazém

a fazer compras de Natal

hoje trabalho eu mesma para o armazém

que por sua vez tem tomado conta de mim

uma avó e uma mãe foram-me

entretanto devolvidas

mas não eram bem as minhas

ficamos porém umas com as outras

para não arranjar complicações

 

Inocentes do Leblon

 

Os inocentes do Leblon

não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

trouxe imigrantes?

trouxe um grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente, e há um óleo suave

que eles passam nas costas, e esquecem.

 

Drummond, só pq faz tempo

Sentimento do Mundo

a mesma novela

Foto: Elliot Erwitt, 1963, Pasadena Califórnia (EUA)

Expo Magnum, ali no Conjunto Nacional, até dia 9.04

 

E superlegal nosso curso sobre mujeres-women-mulheres! Vai dar samba. Resolvemos usar um blogue para trabalharmos o curso em outro espaço: www.8flagrantes.wordpress.com (ainda em testes), aí vc também participa. Mas posto aqui o trechinho ótimo que comentamos sobre telenovelas:

 

"Tania Modleski*, em sua análise de telenovelas, faz considerações sobre esse gênero que fornecem uma pista para a decifração da embalagem. Ela identifica a “espera” como o aspecto formal de maior relevância nas telenovelas. Como todos sabemos, nesse tipo de entretenimento não acontece nada e não se resolve nenhum problema. Os personagens que abrem um determinado capítulo podem sumir pó um dia ou dois, um outro capítulo pode anunciar um acontecimento dramático ou escandaloso, mas a chegada do seu ponto culminante e sua conseqüências irão se arrastar por semanas. Os telespectadores aprendem a manter enredos e personagens em suspenso, capítulo após capítulo, esperando o final que sabem que vai demoram a chegar. Modleski acentua que “as telenovelas são importantes para o público, em parte porque nunca terminam. A narrativa, colocando obstáculos cada vez mais complexos entre o desejo e sua realização, faz da espera um fim em si”. Modleski compara habilmente a espera-componente-formal-da-telenovela com a experiência vivida pela dona de casa. Sozinha em casa, seu marido no trabalho, um ou todos os seus filhos na escola, a dona de casa desempenha as tarefas cotidianas necessárias à manutenção do lar e da família num ambiente em que tudo é espera.

 

As telenovelas revestem de prazer requintado a condição central da vida da mulher - a espera -, seja pelo tocar do telefone, pelo soninho do nenê ou pela reunião da família logo após o capítulo da telenovela, onde os personagens que também encarnam uma família foram interrompidos mais uma vez em sua luta contra a dissolução”.

 

Modleski conclui que o apelo das telenovelas reside na maneira com que elas transformam a espera em um prazer - a telenovela estetiza a espera e permite que a dona de casa transcenda sua experiência real e frustrante da espera e a conceba como um prazer”.

 

* MODLESKI, Tânia. Loving with a Vengeance, Nova York, Methuen, 1982. Trecho retirado de Susan WILLIS, Cotidiano: Para Começo de Conversa, trad Elena Riederer e Guiomar Boscov, Editora Graal, 1997.

E falando na Susan Willis, ela estará aqui lançando livros: Evidências do real, Os Estados Unidos pós-11 de Setembro e Cartas a Legba. Pela Boitempo. Dia 26 de março, quarta-feira, às 20h. Acompanha debate com ela, Maria Elisa Cevasco, Maria Rita Kehl e Isabel Loureiro. Estarei no curso, mas vc vai, não? achei só que faltou homem na mesa, hihi. 

o simulacro é a verdade

Ia postar: "Dirceu y yo estamos novamente em cartaz no B_arco, agora com a oficina O Poema e a Criação, começará dia 29.03"...

 

... contudo, chega de fazer merchandinsing, até porque encontrei algo pós-modernamente estarrecedor

 

: dentro da Alemanha, na cidade de Hohenfels funciona um centro de treinamento de soldados norte-americanos que irão ao Oriente Médio. Até aí, vc irá me dizer “Que novidade? Esse povo adora essa neocruzada terrorista”.

 

Sim, vc tem razão, eles adoram fingir que é tudo videogame, balada techineira e o campo funciona há 7 anos. Mas deixa te contar essa: o exército americano está contratando civis com cara de árabe para atuarem como figurantes do “inimigo”! Se falarem unas palavritas de árabe, mejor. Praticamente um bico pra quem tá lá desempregadão na Alemanha: encenar banquinhas de frutas, limpar mesas do café Aladin, vender bilhete único, DVD do Tropa de Elite, ações para criar um cenário com cor local. Tudo em prol da melhoria no treinamento multicultural das tropas gringas, claro.

 

Interessou? Aí vai o anúncio para você, que não fala patavinas de alemão - quem sabe não dá pra tirar um troquinho... É tudo verdade mesmo...

+ aqui em português | + aqui em alemão

 

 

 

FOLHA DE EMPREGOS - Stellemarkt nº 35

 

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devrayativa no peixe

Só para matar saudade, da Cidade do México, Daniel Malpica convida todos para um evento com poetas como Alberto Trejo, Luis Téllez e Yaxkin Melchy: a segunda presentación de Ecos, llamado ECOS (bajo las piedras); y que se realizará en la Casa del Lago. hoje, a partir de las 17:00h. + aqui

 

o acordados e a francophilia...
então, hoje é o dia

"la lucha es otra que todavía no conocemos"

El Libro de Alan, volume II

 

E hoje, para coroar o tal dia, o qual insistem em distorcer com rosas entregues na boca do caixa no supermercado - deus do céu!, convidei 2 dessas mulheres que admiro.

 

Ficou assim delicado, porque isso também é algo que nos tiram e nos proíbem dia a dia. Queria dedicar o post de hoje a um poeta, pois amar um homem profundamente também é uma das formas de superar velhas feridas. A luta é outra que ainda não conhecemos. 

 

Soy mujer mi mujer.

Soy niña mi niña.

 

Yo sé trabajar.

Soy niña mi niña.

 

Mis pies trabajan.

Mis manos saben.

 

Soy mujer mi mujer

Me hiciste mujer.

Me regalaste mujer.

 

Mujer de las Flores.

Madre del Cielo...

 

Me sacaste niña.

Me sacaste mujer.

Me metiste una mujer adentro....

 

Me diste mi ánima.

Me regalaste mi muerte.

Me metiste mi alma adentro....

 

La Luna está llena.

La mujer está en flor...

 

- Canção tradicional Maia

...traduzida da língua Tsotsil para o Español

pela Ámbar Past, poeta de Chiapas - México

 

 

Fin de Siècle

 

Esfregava as costas

.........................dela

na banheira

cuidando do amor

recém-nascido.

 

 

Fin de siècle

 

Lavaba la espalda

____________de ella

en la bañadera

cuidando del amor

recién nascido

 

Virna Teixeira

(não resisti de colocar a tradução:

Anibal Cristobo, Coleção Chicas de Bolsillo: 2007)

 

[EM TEMPO] Vou certeza na “festa & idéias da cia kiwi. o tema é gênero e emancipação. emancipação de toda a raça e não só, mas muito principalmente, do gênero feminino. vai ser foda. dá uma olhada na programação acima e apareça. é de grátis e faz parte do projeto teatro/mercadoria, aprovado pela lei de fomento ao teatro da cidade de são paulo”. Vem?

tudo azul

Enquanto eu pensava que precisava encontrar uma imagem para o post da Maiara, também socava a água. Não, não eram movimentos no tanque. Nem roupa branca. Essa imagem paralisaria minhas companheiras das 20h de quarta-feira. Contudo, os movimentos eram de roupa no tanque naquela água cheirando cândida e as velhinhas socavam as águas, faiti, faiti, pedia a professora. Antes no vestiário, as de 40 riam-se, riam-se, o marido perguntara, já fez a Marisa? – e a outra respondera para o seu: Sim, Bem, estou em casa... E riam-se: Minha casa é o Eldorado, sabe?, embora de ouro só tivesse o Mastercard do chefe, isso é que não tem preço.

 

E ensurdecedor no eye of the tiger, o the cream of the fight, torciam roupa de cama imaginária. Quem seriam nossos rivais? Fingem que não se lembram, dá um BRANCO. Elas torciam roupa de cama na cândida. As vencedoras agora estão com água até a cintura, de óculos de grau embaciados (claro que entram de óculos na água, eu míope mesma penso em adotar a tática) e, como o Rocky, o lutador, socavam os ares, a vencer sempre, o ocidente que vence invariavelmente, as mulheres, a geração 00, a melhor idade, a vanguarda, contra a menopausa, a repaginada, os novos tempos!

 

Acho que sairei da piscina ainda mais branca, se isso é possível, com tanto cloro. E até agora devo estar cor-de-rosa, espirrenta com minha rinite alérgica, ah, fenótipos que merecem recalls. No relaxamento, a comemoração pacata, quem disse que mocinhas com alguns anos não sabem se divertir?, e embalam-se com a canção, they tried to make me go to rehab, but I said 'no, no, no'.

CURSO: Mujeres-Women-Mulheres: 8 Flagrantes sobre o Século XX(I)

com ana rüsche

 

 

Serão apresentados poemas de diversas autoras, tanto as que compõem o cânone internacional até outras menos conhecidas do público brasileiro - mais ou menos a listinha: Emily Dickinson (EUA, 1830 –1886), Else Lasker-Schüler (Alemanha, 1869–1945), Elizabeth Bishop (EUA, 1911–1979), Noémia de Sousa (Moçambique, 1926–2003), Hilda Hilst (Brasil, 1930-2004), Sylvia Plath (EUA, 1932–1963), Alejandra Pizarnik (Argentina, 1936-1972), Ana Cristina César (Brasil, 1952–1983), Madeline Gins (EUA, 1941), Isabel de los Angeles Ruano (Guatemala, 1945), Alice Ruiz (Brasil, 1946), Âmbar Past (EUA/México, 1949), Diamela Eltit (Chile, 1949), Coral Bracho (México, 1951), Adília Lopes (Portugal, 1960) e poetas contemporâneas brasileiras. Só para você me perguntar: cadê a Gertrude Stein?

 

Os encontros serão divididos por temas - não se trata de sistematizar biografias, claro. Como a in/existência de particularidades no texto escrito por uma mulher, dicções poéticas, as escritoras em seu meio: musas ou mulherzinhas?, amor, consumo, pornografia, raízes, multiculturalidade e o que mais vcs quiserem...

 

Serviço: 12 de março a 30 de abril. quartas, das 20 às 22h. BIBLIOTECA TEMÁTICA DE POESIA ALCEU AMOROSO LIMA. Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros (esq. Cardeal Arcoverde). Tel. 3082 5023. Grátis. + aqui

poetas com m

A poeta peruana Melissa Patino, 20 anos, estudante da Universidade de São Marcos, foi detida quando regressava do Equador. Acusada de ser terrorista. Acusada de ser da Coordenação Continental Bolivariana, a qual teria alguma ligação com o Movimento Revolucionário Túpac Amaru [duvidem das minhas informações portuñolescas].

 

Melissa não pertence a nenhum partido político. E se pertencesse? Foi detida sem provas e continua encerrada en los calabozos de la Dircote. E nosso amigo Huapaya ainda conta que na terça-feira poetas foram brutalmente atacados pela polícia, golpeados ao realizarem uma leitura pela Melissa: aqui o vídeo + notícia.

 

Talvez artistas e terroristas tenham lá seus pontos de contato. Contudo, nos milhões de blogues que veiculam a indignação, não encontrei um único poema escrito pela Melissa... hum-hum. Assim, mando o poema da Maiara Gouveia daqui do outro lado do muro para ti.

 

Jenny Saville 

 

 

MULHERES SANGRAM

I.
Mulheres sangram. De tão recortadas, há dobras e rasgos:
o fio mais espesso se esvai pelo túnel da história,
pelo susto da primeira fêmea raptada.
Pelo rapto: corpo convertido em pedaços. Universo encerrado
num plano de riscos com régua e esquadro.

II.
Mulheres sangram. Pelo medo subterrâneo e ancestral.
Que mela as pernas de vermelho escuro, da morte
que fermenta em cada: clitóris decepado, lençol exposto
das primeiras núpcias, castigo de escrava: surra e sêmen,
mágoa de ser vista como o outro de um modelo arbitrário.

III.
Sim, as mulheres choram e sangram.
Queimam sutiãs entre um silêncio e outro.
Fogem de prospectores e vigias.
Ou se entregam a isto: ser fetiche.
Sem saber o que menos machuca.

IV.
Sangram. E as maçãs, afogueadas. De bruxas (entre chamas), adúlteras (debaixo de pedras), virgens (para compra, venda e estupro), esposas (ainda são úteis). E outras, (plastificadas) em anúncio de xampu.
Algumas enlouqueceram: puseram na boca palavras sujas
e deixaram crescer os pêlos para mostrar de quem era o poder.

V.
Choram. E é esse o seu poder, mulheres loucas.
Universo que irrompe, explode em estrelas do escuro mais fundo,
e se expande. Desaba do Céu e afunda na rota do sêmen,
mas levanta. Recebe no corpo a morte e a vida do Outro.
(Na vertigem, sangramos).

 

Maiara Gouveia

(ah, encontro casual na letras! quem diria, hahahá)

ii. o tal 8 de 2008

Fonte: La Chorreada, by Memo Vasquez

 

Para a mulher, a frente e as costas. Para o homem, a direita e a esquerda.

Para o homem, acima e abaixo. Para a mulher, direito e avesso.

O que eu queria aprender das mulheres é a maneira como se ensina pelo exemplo.

 

Rafael Daud

 

(amanhã tem a Maiara Gouveia, que me ajudou a achar essa menina linda de hoje. e manda várias dicas na certeza de fazer o mal.

e Daud, formatei várias vezes, mas o verso é longo demais, fica cortado, sorry)

o tal 8 de 2008

Ah, flores novamente aqui!... Mas, Ana, flores nunca foram símbolos ou lagos mentais para se chafurdar, lass sie blühen. Queria ter começado ontem, mas a conexão em casa caiu – do trabalho não acesso a net, mas agora vai. Bem, pedi para vários queridos escreverem algumas linhas sobre mulheres. Durante a semana desovo. Nada de mais, nada de menos - o 8 de março infelizmente ainda é uma realidade.

 

Hoje vai esse do Alfredo Fressia, nosso queridíssimo uruguaio, mais um desses tantos que moram aqui e vivem em todas as partes.

 

 

 

Mulheres

    Quando nasci o sexo foi um destino. Não se pode escolher ser poeta.

     Mulheres eu nunca amei nenhuma sem dúvida porque as amei em bloco. Foi um amor longo e sem alegria. Elas também me amaram sem desejo e sem gozo.

     Olhei para elas com a nostalgia de uma vida mais bela. Quando quis ser melhor quis ser mulher.

     Depois me esqueci. Devorei a costela de Adão na travessia do deserto. Fui homem, poeta, amei outros homens. Tive fome.

      Cheguei na praia deste mar eterno, no sul do Brasil. Meu cheiro é de sal virgem e de iodo azul. Sei que uma mulher devolverá ao mar o peixe com uma moeda na boca.

      Ela escreve meu poema. Eu aguardo.

                                                

 

Alfredo Fressia

 

a entrevista

as caras da geração 00:

a felicidade, a multiculturalidade e o cenário de inegável vitória

 

Ontem na entrevista foi tudo ótimo. Principalmente o bar depois, é assim que as coisas funcionam aqui. E em muitos outros lugares.

 

Sobre a parte oficial em si, bem, o Paulo Ferraz me conhece há 10 anos e assim nem foi necessária a colinha para fazer apontamentos ou tirar perguntas da caixola. Como bem admiti depois, tinha ido armada, sabe?, acho que certa agressividade inútil do meio acadêmico, que inclusive sustenta muitas vezes esse mesmo meio, anda me fazendo mal. Enfim, que boba. A platéia era de leitores interessantes, com perguntas e comentários sinceros (ah, sim: e os amigos, que já riam das piadas de antemão, hehe).

 

Falamos sobre milhares de coisas, quem foi, viu, não farei nenhuma ata. Talvez bastante sobre que técnica serve para indústria de automóveis e que poesia tem que ter assunto, tem que ter vida, tensões, realidades. Agora “como?”, bem, isso é para vc aí do outro lado, meu bem.

 

No mais, o lançamento da Confraria na seqüência teve leituras sensíveis. Guardarei por muito tempo a frase do Marcelo Ariel, à guisa de abertura, que esse tipo de leitura pública é um “empalhamento do vôo do pássaro”. Sem mais, mando algumas fotos. + aqui no blogue dos Desconcertos

 

 

Marcio-André sob o olhar de Haroldo de Campos

("o que esse tipo descalço faz em minha sala?")

  

o aniversariante de anos bissextos

 

não resisti: a foto é de outro dia, mas adoro essa mulher

quem linka o peixe
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