Concurso de Anti-Poetry para Coelhos João – You never can tell!

the rules!

 

claro que é alegria fingida. deprimi, sabe que estou quase desistindo disso do concurso? ando cansada. por exemplo, são 21h e estou esgotada. me dói isso de ter que responder e-mails, são tantos com estrelinha marcada... e gente fofa, isso só aumenta meu desânimo, abre-se o conhecido buraco aos meus pés. vc me entende. meus poemas também parecem que andaram perdendo seus poderes mágicos, enfim, outro dia inventarei outros. ao menos inventatrícia nunca deixarei de ser. prossigo com o concurso, tiro essa pontinha do que ainda está bem para fora.

 

 

“El conejo joão faço saber a todos os congressos que decreta e eu sanciono a seguinte regra de concurso:

 

disposições preliminares - artigo décimo e único

parágrafo único: os recursos são complicadíssimos.

 

título iii

alínea b: pesquisem quem é o parra, o brossa, google knows. pensem assim num poema biééén bonito, algo que absolutamente não existe.

 

disposição final

e só o impensável é impossível.

 

isso entra em vigor ainda ontem e substitui qualquer outra coisa que eu publicar amanhã”

 

e vc aí me pergunta em prêmios? mande para o anarusche_gmail, que o coelho te dirá. coelhos lêem bem, comem cenouras, vc já viu um coelho de óculos?

 

não, não e não!

hei, hei! nem ainda publiquei as regras sobre o Concurso de Anti-Poetry para Coelhos João – You never can tell! e já recebo colaboração vergonhosas ao concurso? isso aqui tem cara de casa da mãe joana? por favor!

 

olha só essas brincadeirinhas fracas que recebi - te contar, viu? bem, aquela coisa, "cada autor é unicamente e plenamente responsável por seu conteúdo".

 

ah, pobre ana, ainda pensando que havia algum tipo de civilização hoje à tarde...

 

 

imagem enviada pelo snoop. título da obra "postal da gol"

 

 

 

 

imagem enviada pelo joaquim mariano

 

“Fico na dúvida se isto é arte utilitária, ou se o (nome de) picasso foi utilizado em vão”.

Com essa frase começa o e-mail da primeira contribuição para o internacional Concurso de Anti-Poetry para Coelhos João – You never can tell!

 

Nem bem anunciamos as regras – e seus recursos complicadíssimos – e já há um corajoso primeiro concorrente: Señor Gui-PR, cãozinho dos teclados nos direitos autorais livres, palíndromos, conversas de bar hilárias e sistemas jurídicos complexos sobre redes de informação do século 23.

 

Como as primeiras tentativas são valorizadas pela audácia do candidato, o inusitado da foto e o apoio imediato ao concurso justificam plenamente a candidatura do trocadilho.

 

Quem sabe amanhã tem mais?

 

foto gui-pr

Concurso de Anti-Poetry para Coelhos João – You never can tell

 

 

“la idea es siempre salir por otro lugar

como el conejo de Alicia”

 

- por favor, manter o respeito à epígrafe!

 

aproveitando que o europeu morto de cabeçeira do dia caiu no balde de sabão (calma, daud, ele está secando - creio é sinal de mamãe para lavar a boca suja), refiro-me ao nosso "O Jovem Törless" do Musil, R$ 5,00 na banca...  sim, sim, amanhã ou mesmo depois mando as regras do concurso!

 

que quase não existirão, pois sempre são passíveis de recursos complicadíssimos, importantes-desimportantes. dêem uma olhada nessas obras interessantíssimas y pensem agora numa dessas estripulias. ahá.

 

a) o clássico do brossa:

 

b) o clássico do parra: 

 

 

c) um nem tão clássico assim do parra: 

 

E dê uma lida nesse ensaio sobre NICANOR PARRA: ANTIPOESÍA, PARODIAS Y LENGUAJES HÍBRIDOS, por Adolfo Vásquez Rocca.

 

Trecho: “Actualmente Parra está ya en otro proyecto: escribir la página en blanco. Esta sería una poesía que, en la página, se borrase a sí misma hasta revelar el blanco que ocupa y que la expulsa. Ironía, otra vez, y crítica”.

 

Ei, nós logramos ir além da página branca já! Alerta - fica esperto.

início de tríade

[ANTES] Essa semana talvez comece o Concurso de Anti-Poetry para Coelhos João – You never can tell! Explico depois sem calma, estamos sempre atrasados!, mas já pensa em algo.  

 

 

 

[HOJE] E como quem pede licença, hoje posto o Brossa - aí vai o primeiro da tríade que abre Sumário Astral, seu último livro e um de meus de cabeceira. Só um poeta dessa estatura consegue escrever um poema assim simples, que nos mata a cada linha, nos deixa assim desamparados para nos devolver todo o resto.

 

 

I. 

 

Em forma humana

e habitado pela linguagem

lanço os dados

e abro os livros.

Ninguém dança persuadido.

Os braços se erguem unicamente

para bater com as mãos,

não para traçar algum signo.

Observo os detalhes do fogo

pintado para parecer uma cara.

Todo mundo se pisa.

Descascam os frutos e não os comem.

As bandeiras são da cor do caos,

e a serpente é a senhora dos viventes.

O sal não evita que o mar apodreça,

nem as letras correspondem ao trabalho.

A prova é que o poder atua como único centro

e no mundo se produzem artifícios

que compactuam com todas as conclusões (e gêneros

de especulação) que seria conveniente abandonarmos.

A força das rochas não pensa.

Escrevo signos e letras

em um couro de boi.

Traslado ao pensamento

a terra, o céu e a água

e lanço areia sobre um espelho

para observar desenhos imprevisíveis

ou para traçar uma letra.

Ano após ano,

esgaravato a terra com as unhas

para poder cortar a sombra

que me ultrapassa e penetra as raízes.

 

Joan Brossa, Sumário Astral

Amauta Editorial, tradução do Ronald Polito

para não falar de flores (mesmo das comestíveis)

Primeiro pensei em falar de meu macarrão ao molho invisível de hoje, projeto absolutamente bem sucedido a partir de tudo (ou do nada) que habitava minha geladeira. Basicamente abobrinha, tomate caqui para salada, brócolis, talos de aipo, pimenta-de-bico, cebola, cebolinha, amendoins e queijo ralado. Tudo na manteiga + macarrão. Detalhe que o macarrão era aquele de argolinha para sopa, hahá. Eu só tinha 10 min, senão uma sopa seria algo até inteligente. E se achar estranho, vá comer naquele macarrão de shopping Súbito que tem uma versão bem parecida. Mas que nem chega aos pés do invisível, claro. Invisível divino!

 

Sim, na época da ditadura eram receitas que entravam no lugar de notícias censuradas. Ou poemas do Camões, contudo, nada de sonetos marmóreos por aqui.

 

Depois, por exemplo, poderia contar sobre minha reflexão a respeito do yak(i)soba. Descobri que uma das categorias que opõe estes aos demais macarrões é que, além de terem o molho de soja, vai muito mais não-macarrão que massa. Claro, vegetais em estado puro para muita gente ainda é coisa de pobre y só entrariam bem floreados no prato, quase como uma carne verde exótica. Vegetais são uma lembrança de saúde, uma lembrança de morte, que agouro, deus meu. Psiu! Não é para falar de morte aqui! Ah, sim: queremos cookies com fibra! Herméticos em pacotinhos selo “orgânico”.

 

Em terceiro, falaria dos tomates mesmos, Dona Maroca anda postando vários poetas, com foto e tudo, não percam. E para fechar o tópico receita e o poeta do dia, a Dona Angélica fala de tortas de banana, berinjelas, enfim, podíamos ficar dia por esse tema gentil...

 

Mas o que não posso contar aqui [amor-é-fogo-que-arde-sem-se-ver] é que certo editorial grandão decidiu não mais publicar poesia. Ah, que novidade! Sim, mas dessa vez parece que é sério. E pesado, assim, grotescão.

 

Mas quer saber?

 

A vingança é que aprendi a achar isso ótimo. Assim quem sabe (i) o mundo não explode em espasmos pela falta de poesia – o planeta não sobrevive 5 minutos sem um poema (ii) os tais ditos poetas comecem a ver que há algo de muito chato e bolorento em livros de poesia. Se um moleque de 16 anos não te lê poesia, provavelmente a culpa não é só do moleque, claro (iii) não reclame, vc já sabia que isso iria acontecer, esses caras são uns oligarcas preguiçosos, mas vc foi quem disse que eram muito chiques e cultos, isso iria acontecer mais cedo, mais tarde (iv) será que agora vc terá que pensar um pouco o que fazer com tantos poeminhas lindos? Colocar junto à coleção de estatuetas de mármore da estante? Talvez mesmo junto do Sebastião Salgado, que tem uma pinta de artista contestador chique e culto...

 

Assim, a imensa pergunta é

 

: qual poema vc escreverá hoje?

 

 

E não me fale abobrinhas, hehe.

a transmissão do bate-papo ao vivo sobre o ALERTA DE VÍRUS, como foi?

 

agradecimentos

: nos teclados rafael daud

: nos headphones maurício caqui schwarz

: participação especial benjamín e el quati

 

ah, desculpem, sou uma criatura feliz! ontem o alerta de vírus rolou bem legal, mas já percebi que precisamos ter algum tipo de roteiro, hehe – embora as intervenções de minha mãe dando tchau com conselhos “fecha as portas” antes de viajar e o telefonema da minha tia sempre mantenham esse ar de perrengue cotidiano que é essencial para o sucesso da ação.

 

próxima vez também salvarei o chat (apagou-se), pois é bem interessante ler as manifestações alheias, como a de um visitante gentil de tucson, arizona, do gus indo almoçar com o pai, do victor del franco dizendo que a conexão funciona e do mais esperado internauta (una forma maia de jaguar)...

 

apareceu de tudo: pelejas entre bichos de pelúcia – jamás perder la ternura, leituras portuñolescas, respostas sérias, comentários nada a ver. acabamos com a leitura emocionada pelo rafael do “ataque”, poema publicado no rasgada (2005), o finalzinho segue abaixo.

 

 

(...)

Tinha estado em muitos lugares.

Você nem sabe onde. Perca o sono por isso.

Tomou a calçada na marcha justa,

a cada passo, agulhada no asfalto.

Do furo, logo nasceu a primeira rosa,

logo outra e outra e um caminho

de pegadas de rosa florescia.

Ao longe o horizonte exausto coloria-se.

O tempo é ainda madrugada, de outros dilemas, visões e espera.

Muitas rosas riscavam uma rota

e furavam o asfalto, o tédio e o nojo.

O tempo chegou e o meu ódio é o melhor de mim.

 

Os passantes entenderam tudo.

Tinham estado em muitos lugares.

O silêncio os oprime. Perca o sono por isso.

 

 

ALERTA DE VÍRUS: os invisíveis mandam dizer

[Sobre o projeto, leia aqui]

E quinta (amanhã, feriadão) tem o bate-papo ao vivo às 13h de Brasília (- 3 GMT) sobre o ALERTA DE VÍRUS: os novos invisíveis mandam dizer no http://www.ustream.tv/channel/alerta ou aqui embaixo.

Vamos ver se rola um sinal de transmissão melhor. Se vc quiser transmitir também, basta clicar em "share this"/ "embed" e colar o código no teu blogue.

Live Streaming by Ustream.TV
não estamos em 1959.

E ainda sobre a nova edição da Zunái... a Maroca está publicada! Sim, ahá! Será que agora ela vai sair do armário e se dizer poeta? A parada está aí.

 

Adorei teus poemas, mulher. Ler assim todos na seqüência me fez pensar muitas coisas... Feliz Aniversário mais uma vez!

com a fé desgraçada nas coisas do mundo

tentei traduzir, mas não me agüento..., fica como reescritura, como soaria em português, o que vc quiser. em branco, o mais novo figurino. com amor, como sempre, como sempre.

 

 

somos o que faltava nessas paragens

- antes, só o que existia era uma casa de botão aberta

para o vazio.

 

nosso choque foi o beijo

das galáxias que se beijam

criadoras de todas as seitas, gangs

e histórias para crianças antes de dormir

 

deus estava em ti, adentro,

atraindo-me, fazia-se completo

e a esse vento chamaram de rezar

 

- deus é tudo o que restou depois.

 

 

o original retirei da Zunái, nova edição

FLAP! 2.0 08: Viva La Conexión!

ANOTA: www.flap2008.wordpress.com

 

Hahahá, começou: acabo de postar no blogue sobre a reunião de ontem da FLAP!

 

La revolución no será televisionada!

La revolución será brodecastejada!

Há fotos e um vídeo hilário por lá - não deixa de ver.

FLAP! 2008 - teste ao vivo hoje...

aí-óh: se quiser ver se funciona o troço, transmitiremos um teste pra FLAP! 2008 hoje às 20h, horário de brasília.

 

http://www.ustream.tv/channel/flap2008

 

com o mínimo de tecnologia possível (basta a net, um computador, uma webcam e um microfone – vc tem isso em casa e nunca pensou no assunto?).

 

e sabe o que é viroticamente demolidor? se você quiser divulgar o teste, como fiz aí abaixo, basta clicar no "SHARE" e colar os códigos que aparecem no teu blogue. hehe, não é o tudo? estivemos em muitos lugares, vc nem sabe onde, tenha medo por isso.

 

 

 

Broadcast powered by Ustream.TV

 

 

 

Ps.: enviei o ALERTA DE VÍRUS aos queridos comentaristas abaixo – caso o e-mail não chegue, me avisem, sim?

ALERTA DE VÍRUS: Poemas que não cabem mais no Papel

Eis que ana r., num ato de simpatia com o leitor-passante, explica o explicado

 

: Claro que tem todo esse papo de direitos autorais, distribuição anti-oligarquica-editorial y web 2.0. Mas a graça incomensurável mesmo é disparar o vírus dos poemas absolutamente impublicáveis! você que me lê agora | onde esteve por todos esses dias cegos?

 

A brincadeira séria resume-se a um e-mail com o título ALERTA DE VÍRUS: os invisíveis mandam dizer, que enviei para meus contatinhos, com apenas os poemas "invisíveis" que você acompanhou aqui. Cabe ao leitor-destinatário percorrer o horror branco da tela e escavar os versos.

 

No corpo do e-mail, consta a frase: "Essa obra é extremamente frágil. Sua sobrevivência depende de teu desejo em repassá-la para outros, pois a autora não disponibilizou o arquivo em nenhum lugar para download. Agora é com você".

 

Aí o leitor-destinatário do e-mail que se vire para que esses poemas continuem existindo. Um poema pode finalmente morrer! E não ficar moribundo, esquecido em algum livro. Assim, voltamos à distribuição por afetos: alguns empolgados repassam o e-mail e viram automaticamente co-autores da ação, jardineiros.

 

Coisa parecida com a Distribuição por Contrabando, sabe?

 

Aí para também tirar casquinha desse papo mole de copyleft, já botei os poemas em domínio público, com a tarja em inglês, spanglish, espanhol, portuñol e português ao final do e-mail. Hehe.

 

Essa mistura de línguas só completa o que tudo isso quer dizer, esses versos sobre as estrelas do cruzeiro do sul e a gente aqui, se fingindo invisível, querendo ser esquecido e soterrados por estéticas mortas nos confins da américa, nação zumbi...

 

“Tenemos que recuperar la fragilidad, que es la fuerza más grande que nos permite amar”

(Livro de Alan, V.I).

 

Bem, é essa a explicação. Estou até com lágrimas de postar. Dediquei ao meu muso inspirador e tradutor delirante de línguas mestiças. Uma fé desgraçada nisso tudo. Ah, porque nasci assim, sempre alguma coisa sobrevivendo aqui dentro? E com força.

 

 

[EM TEMPO] Haverá um bate-papo ao vivo no dia 22 de maio de 2008, quinta, às 13h de Brasília (- 3 GMT) no http://www.ustream.tv/channel/alerta. Se vc não recebeu o tal e-mail, me pede aqui no comentário que te mando!

ALERTA DE VÍRUS: a contaminação começa hoje

 

 

"ALERTA DE VÍRUS

: os novos invisíveis mandam dizer"

 

 

 

Bate-papo/Chat: dia 22 de maio de 2008

Horário: 13h Brasília, 1 PM [UTC/GMT: -3]

Live on http://www.ustream.tv/channel/alerta!

 

 

ALERTA DE VÍRUS (faltam ? dias)

 

: el início, a promessa de doçura, que também tu carregas en teus besos profundos, calmos, do tipo de amante que sabe que el tiempo do amor és de otra naturaleza - que escraviza el relógio, tem piedade das máquinas con su ritmo vulgar - ora impondo-se com gañas desesperadas, ora lento que me espera, como el tiempo en que queremos que seja a nudez sem pressa, o toque, el como nos mesclamos en algo maior. y essa tua douçura, que vc também carrega en tus beijos, acolho às lambidelas, tomar el helado-caliente prazer de te sentir inteiro sob a língua, professando meu reconhecimento profundo por ti de rodillas, e la douçura transmuta-se na minha boca, tiene gusto ao concepto de prazer puro, abre-se em leque com persistência, que me pega por um tanto a língua, e é el engolir dessas águas ocre-salgadas-sagradas, a aceitação do corpo de cristo, de meu jesus niño de guatemala, águas de tus ojos tristes, de su vino bautizado de nuestro prazer, que nos floresce mesmo antes de cualquier eucaristia, que nos mostra como é o gosto que sabe a própria vida.

 

ALERTA DE VÍRUS (faltam ... dias)

Esse mês foi o da ana-em-revista.

 

A Coyote esmurrou a porta e pediu a dose dupla, estou na nº 17 [leia tudo aqui], junto com muita gente querida – no Sebo do Bac vc acha. Na Inimigo nº 20, edição comemorativa de 10 anos, saí com meu poema do surfista, que o Gus gosta – devia ter dedicado para vc, querido amigo, agora vc já sabe que é teu. Rolou essa da Offline, que é uma graça de revista jovem, grande distribuição. Também fiquei sabendo da Revista Poesia Sempre nº 26, da Fundação Biblioteca Nacional – a revista mais antiga do sistema MinC. Ainda não sei quais os poemas selecionados, devo receber a revista em casa esses dias.

 

Contudo, ando com mais angústias que o normal. Primeiro porque decidi dar uma adiadinha no ALERTA DE VÍRUS, porque quero fazer com calma. Esse feriado escolhi dormir, ser cruel comigo mesma e ver os amigos. Como eu adoro a Tânia!

 

Mas já não posso te escrever mais. Senão acabo contando o que é o tal ALERTA DE VÍRUS. Vamos deixar essa angústia também contigo. Assim você volta aqui. Eu sei como o mundo funciona. E é por isso que prefiro te angustiar com isso e não com os quilogramas do teu saldo do banco de horas. Assim, pensando no que é o ALERTA DE VÍRUS, você chegará a lugares que eu nunca fui. E isso é um pouco de fazer poesia.

 

ALERTA DE VÍRUS (faltam 4 dias)

Ia postar em branco

 

: ALERTA DE VÍRUS vem aí!

 

Contudo, a questão da correspondência continua me comovendo. Assim, escolhi um poema do Roberto Piva para o HH, quem receberá meu volume autografado das Obras Reunidas (“Um Estrangeiro na Legião”, volume I). Junto aos sinais xamânicos do autógrafo do Piva, a dedicatória minha datada do 1º de maio - só para ficcionalizar um pouco, claro!, que dá ver na foto, é

 

Para HH,

que preferiu destapar os ouvidos, escutar as sereias e anjos, submergir em águas profundas. E largar semi-vivos e amarrados esses heróis gregos no tombadilho

 

Segue o poema do Piva. Não, Dirceu, não escolhi anjos de Sodoma, hehe, ainda é de manhã aqui nesse fuso horário. Desculpem a formatação - os versos são muito longos para esse layout.

 

 

L’ovalle delle apparizioni

 

 

... e quindi il vivere è di sua

própria natura uno stato violento.

Leopardi

 

 

Eu queria ver as caras dos estranhos embaixadores da Bondade quando me

...... vissem passar entre as rosas de lama firmentando nas ruelas onde

...... a Morte é tal qual uma porrada

tilintam capainhas nas asas dos anjos que vão passar

tanto as cidades que percorrem como as cidades que abandonam estão vazias

som morte tempo ossos verdes vontade energia e as habituais velhas

...... loucas distribuindo bombons aos meninos pobres

o apito disentérico das fábricas expulsando escravos

bailarinos trazendo a maresia nojenta dos fiordes endoidecidos atrás

...... dos tapumes indevassáveis

grossas fatias de penumbra nos olhos vencidos pelo álcool

eixos titânicos montados na mente onde a heterossexualidade quer nos

...... comer vivos

partos desenfreados extraindo larvas angulosas

e as crianças fizendo haraquiri ao som de Lohengrin

sobre os pavimentos desolados o firmamento está distante como nunca

nós provamos a esperança desesperada que acompanha cada gosto ritual

enquanto nossas tripas agonizam nos indefesos caules das hortênsias

 

 

ALERTA DE VÍRUS (faltam 5 dias)

 

 

 

 

eu vou te pegar

 

 

isso é um fato,

 

o resto é futuro.

 

 

 

 

 

10 Anos de Inimigo & o Trabalho

Havia preparado uma postagem comentando o aniversário de 10 anos da Inimigo, endereçada ao Gus. Contudo, encontrei os Guaxinins na Faculdade e desisti. Principalmente porque já estava escrevendo sem coerência nenhuma e às vezes sinto que será assim de agora em diante. Nada mais coerente.

 

E hoje falo sobre Arte e Política, 19h. [O serviço é antiga sede do SINPREV, rua senador felício dos santos – travessa da conselheiro furtado, nº 404, metrô vergueiro]. E lá contarei em primeira mão sobre o ALERTA DE VÍRUS. Perca o sono por isso. Claro que já te conto, amanhã talvez. Nunca acredite em mulheres com caras de boazinhas.

 

E falando nelas, ontem o penúltimo encontro do curso Mujeres-Women-Mulheres foi memorável. Só percebi isso quando acordei agora. Porque há poemas que não podem ficar afastados de nós. E nunca estão, por isso que quando os leio, penso que chegam aí até você. E chegam. Como os da Ámbar. Como os da Madeleine Gins, que vc me apresentou.

 

Para comemorar esse dia, mando um trecho na tradução do Rafael Daud (versão inicial, muitas graças), do genial  

 

WHAT THE PRESIDENT WILL SAY AND DO!!

O QUE O PRESIDENTE FALARÁ E FARÁ!!

 

Selecionei um tantinho do Prefácio (ah, a íntegra é ótima, morro de rir) e depois palavras de ordem que serão decretadas lei. E as frases trazem muita coisa – ontem uma das graças, ao menos para mim, foi achar as ligações e piadas internas, como na frase PRODUZIR TEMPO A PARTIR DA CERA, viajamos que poderia ser tiração de sarro do Descartes, que cria a categoria espaço ao derreter cera (Segunda Meditação). Nem te conto de vergonha o que falamos da supressão espaço-temporal. Pura punhetação acadêmica, mas saber disso também é motivo de divertimento. Mas claro, hahahá! Bem, here we go! Com vocês, Madeline Gins, uhú! 

 

Prefácio

 

Uma tentativa precoce para uma economia planejada (seu começo é de 01966), o presente trabalho contém idéias/movimentos de tal caráter presidenciável* que, indubitavelmente (exceto quando é apropriado duvidar), cada uma delas será cedo ou tarde decretada lei. (...)

 

* tentatividade decisivamente incorporada ― sua apoteose; o entre projetado; o presidente, sendo o projetista das visões de outros, a cabeça de marionete, adquire esta qualidade exclusiva através de, o tempo todo, falar e fazer corretamente o que foi prescrito.

 

* * * 

 

ENCHER O OCEANO COM ALGODÃO!

 

SEMPRE DEPOSITAR SISTEMAS INFINITOS COM A FACE PARA BAIXO.

 

SEMPRE DEPOSITAR SISTEMAS INFINITOS.

 

PENDURAR SEIS FAIXAS ESCARLATES ATÉ CHEGAR A CENTÍMETROS DO CHÃO.

 

TODO CIDADÃO DEVERIA RECEBER UM PEQUENO E AMARELO MOTOR A VAPOR!

 

MANTER GRANDES QUANTIDADES DE ÁGUA SALGADA LONGE DOS OUVIDOS.

 

USAR COMPASSO PARA TRAÇAR A BISSETRIZ DE TODA PALAVRA DITA.

 

ISOLAR PONTOS E LINHAS AZUIS.

 

PRODUZIR TEMPO A PARTIR DA CERA.

 

ENTRAR NUMA ESCADARIA.

 

NÃO HÁ RAZÃO PARA ISTO ESTAR ONDE ESTÁ.

 

DETERMINAR QUE TODO PÁSSARO USE VÉU PARA PARECER MAIS MISTERIOSO!

 

USAR MÁRMORES (AZUIS) DENTRO DE COLUNAS MAIORES DE COLA.

 

TODO CONGRESSO DEVERÁ TRABALHAR SOB O PRINCÍPIO DO PARAFUSO DE ARQUIMEDES

 

DIMINUIR A IDADE DE NASCENÇA.

 

EU DISSE, “DIMINUIR A IDADE DE NASCENÇA”

 

PRIMEIRO DERRAMAR TODO O CHUMBO NO PASSADO

 

APAGAR TODAS AS LETRAS INICIAIS.

 

[ATENCIÓ-ÓN!] A edição eletrônica do livro na íntegra está disponível no UBU: aqui - não se perca!

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